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© 2022 Amazonas Atual
Augusto Barreto Rocha

Era dos insultos e do trabalho integral

1 de junho de 2020 Augusto Barreto Rocha
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Estamos em meio a Era dos Insultos, pois eles geram repercussão. A efemeridade da rede social ganhará audiência por meio de reclamações. Há tantos relatos no passado e no saber popular sobre esta questão, que me soa estranho a escalada. Vale a pena ir para a história e entender a Noite de São Bartolomeu, quando o ódio religioso levou a morte de milhares de pessoas. Odiar é bom para a destruição.

A dinâmica do “home office” há um conjunto de oportunidades interessantes, em meio a riscos expressivos. Como cada ser humano lidará com isso? Estaremos presos naquela Noite de 1572, onde o trabalho era exercido de maneira intensa e não regulada? Será que estaremos em pleno 2020 transformado as casas em local de trabalho 24h x 7 dias? E destruindo os que pensam diferente, só por pensarem diferente?

Simon Kuper, em seu artigo de 30/05, no Financial Times, analisou como os insultos estão sendo danosos para a política inglesa, buscando uma oposição que consiga romper este discurso do ódio. Afinal, responder com cortesia quem lhe ataca é um desafio para a maioria de nós. A partir do texto, reflito como o “big-data” interage com a raiva e a estupidez humana, característica tão abundante entre nós, criando grandes turbas de insensatez. Basta lembrar que poucas décadas atrás o ódio aos judeus levou ao que levou – outra das barbáries da história.

A Era dos Insultos ganha diversos contornos: contra os comunistas, contra os índios, contra os funcionários públicos, contra os empresários, contra os padres, contra as universidades, contra os partidos, contra os juízes, contra a ciência, contra tudo e contra todos. É inacreditável como massas de líderes ainda caem nesta armadilha, pouco a pouco. Em 1633 Galileu foi declarado suspeito de heresia, mas pelo menos não foi queimado vivo. Nossas redes sociais estão queimando as pessoas de outras formas. A nova fogueira das curtidas.

Será que escaparemos da fogueira, como Galileu, ou teremos massas condenadas pela imposição do pensamento único, por meio de uma rede social de manipulações? Para os que conseguirem escapar do trabalho 24×7 e dos noticiários que amplificam o ódio e pouco informam, temos uma chance de interromper a escalada da estupidez. Pouco a pouco. De fogueira em fogueira seguimos a vida, na caridade de quem nos detesta, parafraseando o poeta. Será que encontraremos uma saída para esta escalada de estupidez?


Augusto César Barreto Rocha é doutor em Engenharia de Transportes (COPPE/UFRJ), professor da UFAM (Universidade Federal do Amazonas), diretor adjunto da FIEAM, onde é responsável pelas Coordenadorias de Infraestrutura, Transporte e Logística.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos Augusto Barreto Rocha, Noite de São Bartolomeu
Cleber Oliveira 1 de junho de 2020
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