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© 2022 Amazonas Atual
Política

Engenheiro contratado para questionar urna diz ao STF que nunca mencionou ‘fraude’

6 de março de 2025 Política
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Urna eletrônica é submetida a testes para atestar segurança (Foto: TSE/Divulgação)
Engenheiro afirma que não questionou integridade de urna eletrônica em trabalho para o PL (Foto: TSE/Divulgação)
Por Rayssa Motta, do Estadão Conteúdo

BRASÍLIA – O engenheiro eletrônico Carlos César Moretzsohn Rocha, presidente do IVL (Instituto Voto Legal), entregou sua defesa prévia ao STF (Supremo Tribunal Federal) no inquérito do golpe. A estratégia dos advogados foi apresentar o trabalho dele como técnico e, com isso, tentar descolar a auditoria feita pelo IVL de iniciativas políticas para desacreditar as urnas.

Carlos Rocha é um dos 34 denunciados pela PGR (Procuradoria-Geral da República). Os relatórios produzidos pelo IVL, sob supervisão dele, foram usados pelo PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, para questionar o resultado das eleições de 2022. O PL pediu a anulação de parte dos votos alegando mau funcionamento de alguns modelos de urnas eletrônicas.

O engenheiro afirma que prestou “serviços técnicos especializados” e que o objetivo do trabalho não era encontrar fraudes nas urnas e sim “oportunidades de aprimoramento no sistema eleitoral”.

“Reitera-se que as ações desenvolvidas durante o projeto de fiscalização eleitoral objetivaram exclusivamente o aperfeiçoamento do sistema eleitoral brasileiro, sem intenção de desinformar ou manipular resultados”, afirma a defesa.

“Tudo dentro da lei. Tudo dentro do compromisso ético do contrato entre o IVL e o PL de uma auditoria que fosse construtiva e colaborativa, como devem ser as auditorias. Tudo normal”, acrescenta.

Carlos César Moretzsohn disse também que “nunca mencionou a palavra ‘fraude’, nem nos relatórios, nem em mensagens de e-mail ou WhatsApp, nem em entrevistas”.

Os advogados Melillo Dinis do Nascimento e Gladys Nascimento, que representam o engenheiro, afirmam que a PGR está “criminalizando um trabalho técnico”.

“A denúncia ignora que questionamentos técnicos sobre processos eleitorais são comuns em democracias. A revisão, o debate e a fiscalização garantem a confiabilidade dos sistemas. Tratar essas atividades como conspiração deturpa os fatos e compromete a credibilidade das próprias instituições”, argumentam.

A defesa de Carlos Rocha também alega que ele não tem responsabilidade pelo uso que o PL fez dos relatórios produzidos pelo IVL. O contrato de serviço dava ao partido exclusividade sobre o uso do material. Os advogados do engenheiro argumentam que a cessão “desonera totalmente o IVL e Carlos Rocha pela utilização posterior do material pelo PL, cabendo ao contratante qualquer responsabilidade por sua divulgação ou uso em quaisquer meios ou finalidades”.

Outro argumento é o de que Carlos Rocha foi denunciado, mas o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, não. “Todos os relatórios (confidenciais por força contratual) foram entregues somente ao presidente do PL (Valdemar da Costa Neto), figura política e dirigente partidário responsável por sua utilização. Ele não é denunciado. O engenheiro que cuidou de conduzir uma equipe técnica o foi”.

A PGR dividiu os denunciados em quatro núcleos. Carlos Rocha foi incluído no “núcleo de desinformação”, formado majoritariamente por militares do governo Bolsonaro. “O único civil, que não era funcionário público, era Carlos Rocha. Não se sustenta a sua relação com este núcleo”, questiona a defesa.

A defesa prévia é o conjunto de argumentos apresentado pelos acusados antes da instauração formal do processo. Serve justamente para tentar convencer os ministros a rejeitar a denúncia e, com isso, encerrar o caso sem a deflagração de uma ação penal.

A Primeira Turma do STF vai analisar as manifestações das defesas para decidir se há elementos suficientes para receber a denúncia da PGR. Pelas regras internas do Supremo, as duas turmas da Corte são responsáveis pelos julgamentos de casos criminais.

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Assuntos Eleições 2022, Jair Bolsonaro, PL, urna eletrônica
Cleber Oliveira 6 de março de 2025
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