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Dia a Dia

Empresas de seguro querem incluir R$ 3 na conta de luz dos brasileiros para reparar desastres

6 de junho de 2024 Dia a Dia
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Alagações em Porto Alegre causaram mortes, desaparecidos e fechamento do aeroporto (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Alagações em Porto Alegre causaram mortes, desaparecidos e fechamento do aeroporto (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Por Felipe Campinas, do ATUAL

MANAUS – Empresas de seguro tentam viabilizar a criação de uma nova modalidade do serviço para atender população afetada por catástrofes em todo o país. O mercado propõe incluir R$ 3 na conta de luz de quem paga a energia, e, em caso de desastre natural, indenizar as vítimas em R$ 15 mil por moradia e mais R$ 5 mil se houver morte. O pagamento ocorrerá logo após a decretação do estado de calamidade pelas autoridades.

A ideia é defendida pela CNSeg (Confederação Nacional das Seguradoras) e tem apoio do Sindsegnne (Sindicato das Seguradoras Norte e Nordeste). Em 2023, as empresas do setor apresentaram ao governo federal uma proposta para criar o seguro e agora trabalham para informar e ganhar apoio da sociedade para concretizar o projeto.

Nesta quarta-feira (6), representantes do setor promoveram um evento na zona centro-sul de Manaus para defender o tema.

No encontro, o presidente do Sincor-AM/RR (Sindicato dos Corretores de Seguros do Amazonas e Roraima), Érico Parente, criticou o “segurês” e defendeu linguagem mais simples para explicar como funciona esse tipo de serviço.

Apesar de ter sido proposta em 2023, a ideia do seguro catástrofe ficou em evidência nas últimas semanas em razão da cheia dos rios no Rio Grande do Sul, que deixou milhares de desabrigados e dezenas de mortes.

A proposta isenta pessoas de baixa renda de pagar o seguro. Quem estiver inscrito no CadÚnico, o cadastro do governo federal, teria direito a cobertura sem precisar pagar.

“Trata-se de um valor adicional que as pessoas passarão – essa é a proposta – a pagar na sua conta de luz – por exemplo, R$ 3 – e, no momento do infortúnio, vou trazer aqui de novo a tragédia do Rio Grande do Sul, as pessoas seriam indenizadas na ordem de R$ 15 mil. Pouco? Obviamente que não. Vocês imaginam o quanto nesse momento de dificuldade que o Rio Grande do Sul vive amenizaria o sofrimento dessas famílias esses R$ 15 mil”, afirmou o presidente do Sindseg NNE (Sindicato das Seguradoras do Norte e Nordeste), Ronaldo Dalcin.

“É algo que está sedo discutido junto ao governo federal. Tem tido uma boa aceitação por parte dos políticos e vamos ver os próximos passos”, completou Dalcin.

Seguro caro

Ao ser questionado sobre os altos valores de seguros no Brasil, Ronaldo Dalcin afirmou que o consumo médio per capita (total arrecadado dividido pelo número de habitantes) dos serviços no Brasil alcança US$ 90 (R$ 472) e está abaixo da média dos Estados Unidos, que chega a US$ 2,6 mil (R$ 13,6 mil). Isso significa que o número de quem adere aos serviços ainda é muito baixo no país. Dalcin afirma que, se o número de contratos aumentar, o preço do seguro deve diminuir.

“Apenas 30% da frota brasileira, hoje, tem seguro. Se essa fatia aumentar, mais pessoas consumirem esse produto, obviamente, esse custo se pulverizará e certamente haverá uma redução, que é o que acontece em outros países mais desenvolvidos no tema seguro”, afirmou Dalcin.

O índice de consumo de seguro residencial, por exemplo é de 17% no país. No Amazonas, a taxa é de apenas 4,5%. No Sul, que está vivendo uma tragédia, é de 38%.

“Isso, por um lado, é um indicador que a gente analisa ainda baixo, mas por outro lado é o viés da oportunidade, do quanto essa região ainda aqui tem espaço para se desenvolver em diversos segmentos e modalidades de seguro”

Sobre o seguro de veículos, Dalcin afirma que alto número de roubo, de furto e de acidentes de trânsito encarece o preço dos serviços.

“Quando a gente fala que o seguro aqui é caro, tem vários fatores. Um deles é que realmente, hoje, no seguro, especificamente de automóvel, há um volume muito grande, por exemplo, de roubo e furto e de acidentes. Então isso passa por um aculturamento da sociedade. De melhores práticas no trânsito, e também de uma melhoria na segurança pública”, afirmou Dalcin.

De acordo com dados da SSP-AM (Secretaria de Segurança Pública do Amazonas), em 2023 a polícia registrou 1.205 roubos nas cidades amazonenses, a maioria em Manaus. O número foi o mais baixo na série histórica em doze anos. Veja o gráfico abaixo.

Roubo de veículos no Amazonas em doze meses (Fonte: SSP/AM)

A capital amazonense também tem registrado grande número de acidentes de trânsito. Em sete dias (de 18 a 24 de maio deste ano), o CCC (Centro de Cooperação da Cidade) registrou 851 ocorrências nas áreas do transporte e trânsito. A maioria foi acidentes de trânsito envolvendo danos materiais, vítimas lesionadas e vítimas fatais, além de estacionamento irregular.

Ronaldo Dalcin, presidente do Sindseg NNE, em evento em Manaus (Foto: Rell Santos/Divulgação)

Dalcin defende o aculturamento da sociedade brasileira sobre os seguros. “É uma jornada que a gente precisa construir juntos porque estamos falando de educação financeira, e embaixo do guarda chuva da educação financeira está a educação securitária. A gente precisa cada vez mais aculturar a população e demonstrar a importância que esses produtos de seguro tem para a economia e para a sociedade”, afirmou o presidente do Sindseg NNE.

“Somente em 2023, o mercado amazonense recebeu de volta do segmento de seguros, que são indenizações, resgates e benefícios, R$ 571 milhões. É pouco? Não é. Isso equivale ao investimento da Prefeitura de Manaus na pasta de infraestrutura. Imagina tirar da economia amazonense R$ 571 milhões. Vejam a importância que essa indústria tem”, completou Dalcin.

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Assuntos cheia, Conta de luz, desastre, enchentes, indenização, manchete, Seguro
Felipe Campinas 6 de junho de 2024
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