
Por Iolanda Ventura, do ATUAL
MANAUS – Em quatro anos, o total de área queimada em Manaus aumentou 350%. O monitor do fogo, ferramenta disponível na plataforma do Mapbiomas Brasil, mostra que em 2019 o total queimado foi de 98 hectares. Em 2022, esse número saltou para 441 hectares.
O Monitor do Fogo faz mapeamento mensal, usando imagens do satélite Sentinel 2, e revela em tempo quase real a localização e extensão das áreas queimadas em todos os biomas brasileiros.
De 2019 para 2020 o crescimento da área queimada foi significativo. De um ano para o outro foi de 98 hectares para 268 hectares, um aumento de 173%. Em 2021 houve uma pequena redução, com total de 247 hectares queimados em Manaus. Em 2022 ocorreu o recorde do período, com 441 hectares atingidos.
O monitor do fogo mostra que os 441 hectares queimados distribuem-se entre florestas, com 254 hectares; formações naturais não florestais (campos alagados e formação campestres), com 42 hectares; e áreas destinadas a agropecuária (pastagem e agricultura), 144 hectares.

A plataforma exibe o território atingido pelo fogo entre janeiro e outubro. Os meses de julho, agosto, setembro e outubro, período mais quente do ano na capital, concentraram mais áreas queimadas nesses quatro anos. Em 2019 e 2020, também houve picos em janeiro.
Para efeitos de comparação, em janeiro deste ano foram queimados 11 hectares de terra na capital e em junho, somente 6 hectares. Em fevereiro, março, abril e maio não houve registro de fogo. Mas em julho, agosto, setembro e outubro os números foram 60, 70, 181 e 113 hectares, respectivamente.
Líderes das queimadas

A nível estadual, já foram destruídos pelo fogo 947,6 mil hectares em todo o Amazonas em 2022. Esse total é puxado sobretudo pelos municípios de Lábrea, Apuí, Manicoré e Novo Aripuanã, que respondem por 217,9 mil; 164,7 mil; 120,6 mil; e 114 mil hectares queimados.
Como na capital, o estado teve aumento significativo de áreas atingidas pela fogo nos últimos quatro anos. Foi de 601,9 mil hectares em 2019 para 773,2 mil em 2020. Reduziu para 696,7 mil em 2021 e saltou para 947,6 mil hectares este ano.
Boletim mensal do Mapbiomas traz o Amazonas no ranking dos estados mais afetados em outubro, ocupando a 8ª posição. No mês em questão, 118,7 mil hectares foram queimados no mês em questão. Em primeiro lugar está o Mato Grosso, onde o fogo destruiu um total de 613,9 mil hectares.
No Brasil, as queimadas aumentaram 66% no último mês. Em apenas 30 dias, 3,4 milhões de hectares foram queimados – 1,3 milhão de hectares a mais do que no mesmo mês de 2021. Segundo o Mapbiomas, de janeiro a outubro, foram 15,2 milhões de hectares atingidos pelo fogo, área maior que o estado do Ceará. O crescimento em relação aos 10 primeiros meses de 2021 foi de 11%, ou 1,5 milhão de hectares a mais.
