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© 2022 Amazonas Atual
Valmir Lima

Em país tupiniquim e na barelândia, medalha é o que interessa

21 de novembro de 2017 Valmir Lima
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MANAUS – Sempre que se aproxima o fim de ano, os poderes constituídos (Legislativo, Executivo, Judiciário e afins) escolhem pessoas que “prestaram relevantes serviços à sociedade” para receber medalhas. Sem qualquer consulta popular, escolhem ao bel prazer amigos, amigos dos amigos, parentes e aderentes para presentear com uma condecoração que, de fato, nada representa. Mas satisfaz o ego de quem recebe e de quem a concede. O problema não é distribuir medalhas, mas fazer isso com dinheiro do contribuinte.

Isso me lembra uma história contada por um velho companheiro de profissão lá nos inícios dos anos de 1990: um homem que trabalhava para pessoas importantes queria, também, se sentir importante. Por isso, ao fim de cada serviço, o contratante perguntava: “Você quer receber em dinheiro ou em medalha?” A resposta era sempre a mesma: “Medalha!” O pobre homem não tinha, às vezes, o que comer, mas vestia um paletó em que faltava espaço para novas medalhas.

Imaginem os senhores que se em um país onde as instituições existem para servir à coletividade algum membro de poder se arvoraria a criar uma condecoração como se faz no Brasil? Nos menores municípios a medalha é uma forma de agradar gregos e troianos. Cada vereador, cada deputado, cada dirigente de polícia, cada membro do Poder Judiciário, cada membro dos Tribunais de Contas se sente obrigado a agraciar pessoas que muitas vezes não dão qualquer contribuição social. Até o Ministério Público participa da farra vez por outra.

O Brasil tem uma tradição monárquica arraigada. Vem daí as condecorações. Na Monarquia, todos os que não eram nada queriam reconhecimento das cortes reais. Ser olhado já era motivo de comemoração; ser convidado para uma festa era um prêmio; receber uma condecoração era como fazer parte da nobreza, e quem não desejava ser nobre pelo menos por um instante?

Ainda não acordamos para a realidade. Todos os que sobem os degraus do poder vestem as roupas da nobreza. Há comportamento mais ridículo do que o uso de togas pela magistratura brasileira, pelos membros do Ministério Público e do Tribunais de Contas? Nos parlamentos, os trabalhadores comuns, como jornalistas, são impedidos de adentrar ao plenário se não estiver vestido de terno, uma tradição da monarquia britânica.

Até quando teremos que conviver com isso? Quando iremos evoluir? Quando chegaremos ao nível da Noruega, onde deputado federal tem um cartão para andar de transporte público e ainda é questionado pela população, que considera uma regalia inaceitável?

Precisamos dizer não às medalhas e condecorações inúteis.

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Assuntos Amazonas, brasil, Homenagem, Judiciário, Legislativo, medalha, monarquia
Valmir Lima 21 de novembro de 2017
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