

Por Teófilo Benarrós de Mesquita, do ATUAL
MANAUS – Vice-presidente da Fundação Leonel Brizola, ligada ao PDT (Partido Democrático Trabalhista), e ex-deputado estadual pelo Paraná, o médico Haroldo Ferreira pediu desligamento de suas funções e declarou apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão foi para “não incorrer em ato de infidelidade partidária” e o motivo alegado foi o rumo que a campanha presidencial de Ciro Gomes tomou.
“Malgrado este momento em que o PDT Nacional, através da candidatura presidencial de Ciro Gomes, marqueteado por João Santana, imprime uma campanha odiosa contra o principal candidato de oposição ao regime bolsonarista, lhe impondo pesadas críticas, inclusive, no campo pessoal e familiar”, disse Ferreira, em carta encaminhada ao presidente nacional da sigla, Carlos Lupi.
Estagnado entre 7% e 9% da preferência do eleitorado em praticamente todos as pesquisas divulgadas, Ciro passou a atacar o PT e o candidato Lula nas últimas semanas. A tática causou perda de apoio e desencadeou o movimento do voto útil.
Celebridades identificadas com a candidatura de Ciro migraram para Lula como forma de tentar a vitória do petista ainda no primeiro turno. O roqueiro Tico Santa Cruz e o cantor e compositor Caetano Veloso estão entre os que mudaram a declaração de voto.
Em entrevista nesta segunda-feira (19) ao apresentador Ratinho, no SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), Ciro Gomes declarou que “se deixar, o PT rouba até tua carteira”.
Para o dirigente nacional do PDT, Ciro Gomes é , hoje, “dentro do nosso campo político, o principal detrator de Lula, servindo direta ou indiretamente de linha auxiliar para a candidatura oficial de situação”.
“Tal conduta equivocada, além de não agregar eleitoralmente, nos afasta do campo progressista nacional, nos isola num gueto indefinidos ideológico, inexpressivo de articulação”, diz. Ferreira lembra do posicionamento histórico de Leonel Brizola, que declarou apoio a Lula no segundo turno de 1989, “apesar de diferença existentes à época”.
“Constrage-me, sobremaneira, a repercussão dos ataques pessoais ao Lula, como munição eleitoral, nas redes sociais, impulsionados por bolsonaristas”, diz o pedetista em outro texto da carta com o pedido de desligamento.
“Isto posto, informo ao Presidente [do PDT] que passo a defender a bandeira da liberdade e do estado de Direito democrático, engajado na campanha eleitoral de Luís Inácio Lula da Silva, e que assim o destino o queira futuro Presidente do Brasil”, comunica o médico.
