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Dia do Amigo: quando a ausência da amizade se transforma em desrespeito

21 de julho de 2015 Colunas
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Tal como se convencionou a criação de dias que homenageia algo, a exemplo do Dia da Confraternização Universal e da Paz, Dia internacional da Mulher, Dia dos Pais, Dia das Mães e os outros tantos, criaram também o Dia do Amigo, para ser comemorado no dia  20 (vinte) de julho.

Algumas dessas datas, às vezes feriado, ganharam status de grandes comemorações com consideráveis repercussões culturais e comerciais, é o caso do Dia das Mães, no segundo domingo de maio, que já se cristalizou como um evento cultural, responsável por grandes movimentações na sociedade como um todo.

Além do Dia do Amigo, essa data é também dedicada ao Dia Internacional da Amizade. A iniciativa da criação coube ao Argentino Henrique Febraaro, deslumbrado com a chegada do homem à lua no dia 20 de julho 1969, acreditando que tudo seria possível com a união de todos os homens. O feito de Febraaro ganhou chancela de data oficial, primeiro na argentina, através de um Decreto, e depois em diversos outros países. Essa data, embora  adotada por mais de cem países, incluindo o Brasil, não é a única em que se comemora a Amizade. Outra versão se reporta à iniciativa do Paraguaio Ramon Artemio Bracho, que a partir da Cruzada Mundial da Amizade em 1958 fez a indicação do Dia 30(trinta) de julho para comemoração do Dia da Amizade. Essa dualidade foi objeto de apreciação pelas Nações Unidas, que decidiu pelo Dia 30, mas, afinal, comemora-se numa ou noutra data, segundo cada país.

Ontem, portanto, circularam aqui no Brasil e pelo mundo afora manifestações declaratórias e reconhecimentos de amizades preenchendo necessidades afetivas e fortalecendo relacionamentos de amigos.

A amizade é uma derivação da palavra amor, cuja significação tem diversas conotações. Isso implica a compreensão de que a amizade é também uma palavra de diversas acepções, que vão das necessidades subjetivas mais elementares a tratados entre nações, senão veja-se esse tratado assinado entre o Brasil Imperial e os Estados Unidos de 1828: “Tratado de amizade, Navegação e Comércio entre o Senhor D. Pedro I, imperador do Brasil, e os Estados Unidos da América, assinado no Rio de Janeiro  em 12 de Dezembro de 1828, e ratificado por parte do Brasil na referida data, e pela dos Estados Unidos em 17 de Março de 1829.”

Essa extensão conceitual da palavra nos dá a compreensão de que a amizade é falta (um vazio), insuficiência, necessidade e ao mesmo tempo desejo de adquirir e de conquistar o que não se possui como Platão definiu no Livro Fedro. Portanto, a amizade é um sentimento de busca de completude, daquilo que nos preenche, necessidades que vão da sexualidade, como em níveis mais instintivos a outras formas de relacionamento com pessoas, com objetos, com dimensões religiosas e todas as formas de se dedicar e obter amor pessoalmente.

Depois de entender a Amizade em nível subjetivo, pessoal e constatar que entre nações, como é o caso do exemplo aqui citado, dá para admitir que se possa tratar da amizade num nível objetivo, num nível político, dedicando respeito à população, como se impõe num protocolo entre nações. A Amizade e o Amor não prescindem do respeito, da honorabilidade, da honestidade.

Nesse contexto, enxergamos o quanto o nosso pacto social está defasado, desrespeitado, com total ausência do suposto Tratado de Amizade que tem a sociedade com o Estado.

A Amizade é um sentimento vital, importantíssimo para a faculdade do egocentrismo, a faculdade do amor próprio, do estado de felicidade, do conforto e da autoconfiança, mas também do altruísmo e da solidariedade, da capacidade de proporcionar todo conforto possível ao outro.

Não há dúvida quanto aos revezes que se experimenta com algumas amizades, isso é próprio do ser humano. Algumas amizades têm maior proximidade, usufruem de convivência mais efetiva, outras, em decorrência de contingências parecem mais apagadas, mas a amizade verdadeira é duradoura. Algumas relações entre pessoas aparentemente amigas podem não consistir em Amizade propriamente. Parece que Amizade anda em falta nesses tempos.

Acerca da amizade, o velho Confúcio sentenciava: ”para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade”.

Eu sou um homem feliz, tenho alguns amigos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Valmir Lima 21 de julho de 2015
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