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Dia a Dia

Desmatamento preocupa e entrada do Brasil na OCDE pode demorar até 4 anos

5 de abril de 2021 Dia a Dia
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Desmatamento (Foto: Arquivo/MMA)
Por Daniela Arcanjo, da Folhapress

SÃO PAULO – Para o Brasil entrar na OCDE, conhecido como clube dos países ricos, o mais importante é “ter uma atitude reformista”, diz o economista Álvaro Santos Pereira, ex-ministro da Economia e do Emprego de Portugal que atualmente dirige a área de estudo de países da organização.

A entrada na organização é uma das principais bandeiras do ministro da Economia Paulo Guedes. Mesmo apoiando a adesão do país, Pereira alerta para alguns entraves, como o desmatamento.

O português é o mais recente entrevistado da série Papel do Estado, do Um Brasil, uma iniciativa da Fecomércio de São Paulo em parceria com a Columbia Global Centers e com o Center on Global Economic Governance.

“No Brasil, claramente temos a questão do desmatamento, que nos preocupa bastante”, afirma Pereira durante a entrevista. “Nossa principal preocupação nos próximos tempos vai ser como melhorar as nossas Ele diz que grande parte dos planos de recuperação da economia dos Estados Unidos e Europa são incentivos à economia verde. “O Brasil não pode ficar para trás”, afirma.

A destruição do pantanal e da Amazônia para uma “agricultura de baixa produtividade”, segundo o economista, podem estar acabando com “tesouros mundiais” que poderiam ser importantes para atrair mais investimento e turismo.

Apesar das críticas, Pereira acredita que “o lugar do Brasil é na OCDE”. Na sua visão, caso o país seja admitido na organização, será um dos membros mais poderosos do clube.

Esse processo, no entanto, pode demorar até quatro anos, diz. Durante esse período, a entrada do Brasil será debatida em comitês, onde eventuais “sinais preocupantes” do país candidato podem ser um obstáculo.

Recentemente, a OCDE adotou medida inédita em relação ao combate à corrupção no Brasil: criou um grupo permanente de monitoramento do país sobre o assunto. A entidade está preocupada com o que chamou de fim “surpreendente da Lava Jato” e com as restrições de compartilhamento de informações de órgãos financeiros para investigações.

Em 2019, o então presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, determinou a suspensão de investigações criminais pelo país que usem dados detalhados de órgãos de controle, como o antigo Coaf, Receita Federal e Banco Central, sem autorização judicial. A decisão beneficiou o senador e filho do presidente Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Além disso, no início de fevereiro, o comitê de política ambiental da OCDE cancelou discussão sobre o upgrade do status do Brasil no órgão.

Pereira sustenta que uma abertura maior do Brasil ao comércio exterior e à economia verde seriam benéficas ao país.

Em relação às reformas, o economista cita as que julgou importantes para o Brasil, como a da Previdência e a trabalhista, mas diz que as barreiras ao empreendedorismo “são altíssimas” e, em relação ao comércio exterior, “o Brasil é praticamente uma ilha”.

“Se nós compararmos o Brasil com a Ásia, os países asiáticos nos últimos 20 anos aumentaram as ligações, importações, exportações”, compara. “Se o Brasil se abrir, ele não só vai crescer muito mais, mas vai também aumentar a sua importância no mundo, o que, para mim, será avassalador”.

Pereira convergiu com o que executivos brasileiros e até mesmo o governo federal vêm defendendo nas últimas semanas sobre a crise econômica decorrente da pandemia: a principal saída é a vacinação.

“Nós precisamos ter certeza absoluta que sermos nacionalistas na vacinação é altamente errado e contraprodutivo”, diz, quando citou a possibilidade de novas mutações do vírus serem resistentes às vacinas disponíveis.

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Assuntos brasil, desmatamento, OCDE
Redação 5 de abril de 2021
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