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Dia a Dia

Desmatamento no cerrado envolve grandes produtores, mostra estudo

12 de setembro de 2022 Dia a Dia
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Desmatamento no cerrado avança sobre área nativa (Foto: SAD-Cerrado/Reprodução)
Desmatamento no cerrado avança sobre área nativa (Foto: SAD-Cerrado/Reprodução)
Por João Gabriel, da Folhapress

BRASÍLIA – O desmatamento no cerrado está avançando, movendo-se em direção à vegetação nativa e é impulsionado pelos grandes produtores e pela propriedade privada. É o que mostram os dados do Sistema de Alerta de Desmatamentos do Cerrado (SAD-Cerrado), lançado nesta segunda (12).

Segundo o monitoramento, feito via satélite e com inteligência artificial, a área em que foram registrados alertas de devastação do bioma cresceu 15% no último trimestre: de 253,4 mil hectares entre maio e julho de 2021, passou para 291,2 mil hectares no mesmo período de 2022.

No primeiro semestre deste ano já foram identificados 472,8 mil hectares de alertas de desmatamento – área que segue o mesmo patamar do ano anterior.

Além disso, 70% dos registros são de pedaços de terra superiores a dez hectares e 78,9% estão inseridos dentro de áreas privadas – o que indica que não são fruto do efeito de pequenos produtores rurais ou comunidades tradicionais.

“Não só o desmatamento no cerrado tem aumentado, como também tem se movido para o Norte, na chamada região Matopiba, onde temos ainda boas porções de cerrado intactas que estão sendo objeto de especulação imobiliária e avanço do agronegócio”, afirma André Guimarães, diretor do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).

O Matopiba compreende os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, representa 30% do cerrado e registrou 65% do desmatamento do bioma neste ano, indicam os dados.

Como mostrou o jornal Folha de S.Paulo, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), o crescimento do desmatamento ameaça não só o Matopiba, mas também a região chamada de Amacro (Amazonas, Acre e Rondônia), outra área com forte presença de mata nativa.

Relatório do MapBiomas, divulgado em julho deste ano, indica salto de 29% no desmatamento da Amacro de 2020 para 2021. A região concentrou, no ano passado, 12,2% do total desmatado no país e 20,8% do que foi derrubado na Amazônia.

Segundo essa mesma análise, o Matopiba concentrou 23,6% do total desmatado no país em 2021 e 72,5% do que foi perdido no cerrado. Em comparação com 2020, houve aumento de 14% no desmatamento nessa região.

Sob Bolsonaro, a Amazônia também vem registrando recordes de desmatamento e incêndios, assim como o pantanal.

Em todo o país, nos três primeiros anos de governo, houve um aumento do número de municípios com alertas de desmatamento, de acordo com o Mapbiomas. Eram 1.734 (31,1% do total) em 2019 e saltaram para 2.889 (51,9%) em 2021. Nestes três anos, 61,2% dos municípios brasileiros tiveram pelo menos um desmatamento detectado.

Também ficaram mais frequentes, por exemplo, os grandes desmatamentos -com mais de cem hectares (cerca de cem campos de futebol). Houve um aumento de 43,5% na quantidade desses alertas entre 2019 e 2021. Eles representavam 44,2% do total desmatado no país em 2019, passaram para 46,6% em 2020 e para 51,7% em 2021.

Ou seja, os dados do SAD mostram que o cerrado segue a mesma tendência identificada pelo MapBiomas para o Brasil, com o crescimento dos grandes desmatamentos em direção às áreas nativas.

“No cerrado, o desmatamento está acontecendo principalmente nas savanas, 70%, e principalmente nos estados do Maranhão e Tocantins, com muita diferença para o resto, lembrando que são os estados que mais vegetação nativa remanescente têm”, completa Juan Doblas, pesquisador do Ipam.

A mata nativa representa atualmente cerca de 53% do cerrado – ou 26% da vegetação nativa do país-, bioma mais diverso do Brasil.

O SAD Cerrado foi criado pelo Ipam em parceria com o MapBiomas e o Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig) da Universidade Federal de Goiás.

Doblas ressalta que o sistema funciona de forma complementar e paralela às medições Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o programa realizado pelo governo federal.

A diferença é que, enquanto a maioria dos métodos de monitoramento da vegetação é feito por identificação humana, o SAD criou uma inteligência artificial capaz de identificar áreas de provável desmatamento e gerar os alertas.

Ainda, o computador é capaz de excluir da conta os incêndios naturais e a perda de vegetação fruto das secas sazonais.

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Assuntos Cerrado, desmatamento
Cleber Oliveira 12 de setembro de 2022
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