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Desenvolvimento e economia de baixo carbono

24 de novembro de 2016 Follow Up
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O Instituto Escolhas, um parceiro que o CIEAM tem mobilizado na discussão dos serviços ambientais que as empresas do Polo Industrial de Manaus, promoveu um importante Evento, em parceria com o INSPER – onde ocorreram os debates – e a FOLHA DE SÃO PAILO, para debater os caminhos que o país precisará percorrer para construir uma economia de baixo carbono. O evento ocorreu em São Paulo, com a participação de economistas e especialistas no tema. Marcelo Leite, jornalista da Folha de S. Paulo, liderou a primeira discussão da posição do Brasil no cenário internacional dentro do contexto da transição para a economia de baixo carbono. O anfitrião Marcos Lisboa, presidente do Insper, Jorge Arbache, secretário de Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento, Ana Toni, diretora do Instituto Clima e Sociedade, e Ricardo Sennes, sócio-diretor da consultoria Prospectiva, retomaram os gargalos do Brasil que não fez o dever de casa em educação, transporte, produtividade e competitividade. Não aparecemos no mapa da energia e, fora o agronegócio, não temos nenhum destaque no cenário internacional, sequer temos grau de investimento para receber os US$ 100 bilhões de greenbonds, os recursos destinados a uma economia de baixo carbono no Acordo do Clima. Embora os presentes tenham criticado a ausência de uma política fiscal e industrial, a conclusão deste grupo foi rever os incentivos e olhar para a Amazônia como o melhor caminho para uma saída para o país: a Bioeconomia, um investimento em inovação e aproveitamento das oportunidades da Biotecnologia.

Incentivos e contrapartidas ambientais

O segundo painel, com a finalidade levantar questionamentos e apontar novos caminhos para a indústria brasileira, a partir do desenvolvimento de novos setores industriais e a inserção do Brasil nas cadeias globais de produção. Os conferencistas, por Celina Carpi, do Instituto Ethos e Grupo Libra, José Roberto Mendonça de Barros, consultor da área econômica e ex-secretário executivo de Comércio Exterior, José Augusto Coelho Fernandes, diretor de Políticas e Estratégia da Confederação Nacional da Indústria, Luiz Barroso, presidente da Empresa de Pesquisa Energética, e moderação de Shigueo Watanabe Jr., pesquisador do Instituto Escolhas. Ainda aqui veio uma crítica aos incentivos, notadamente para a indústria automobilística. Novamente a ZFM não aparece, a não ser nas informações dadas que relacionam indústria, UEA, confiscos de recursos de P&D, como o instrumento necessário para criar novas modulações econômicas. Chamou a atenção o conjunto de propostas de como o Brasil precisa se organizar junto aos parceiros internacionais, para precificar o papel de sumidouro de 15% do carbono produzido pela humanidade. O governo brasileiro, até o momento proíbe que isso vire moeda de negociação com países que usam fontes predatórias de energia, por exemplo. Em todo caso, porém, em todo o debate, o bioma amazônico, historicamente usado como o grande vilão do aquecimento global por suas supostas queimadas, aparece nas várias falas como o grande ativo ambiental do Brasil nas negociações multilaterais.

Pesquisa & Desenvolvimento

Além do reconhecimento de que o Brasil segue de costas para a Amazônia, discutiu-se, ainda, a necessidade de mobilizar o poder público e a comunidade científica, para olhar para a floresta amazônica como o grande espaço da quarta revolução industrial, onde a natureza precisa ser revisada e revisitada como paradigma de criação de soluções para a humanidade, do mesmo modo como a engenharia da fibra ótica se debruçou sobre o fenômeno de pigmentação das borboletas a partir do sua interação e intersecção com as flores. Os exemplos foram diversos sobre as possibilidades de usar a bioindústria, com 90 produtos num primeiro momento, para em 10 anos dobrar a receita do agronegócio. O debate sobre o papel da inovação e do conhecimento em uma economia limpa contou com a participação de Carlos Nobre, da Academia Brasileira de Ciências, que ofereceu um panorama de como o tripé ciência, tecnologia e inovação pode ajudar o Brasil a construir uma economia de baixo carbono, Marcos Jank, diretor global de assuntos corporativos da BRF, e Ricardo Abramovay, da Universidade de São Paulo, que discorreu sobre a industrialização, utilização dos recursos naturais do país e as novas indústrias. Este foi um dos melhores momentos, onde a Amazônia aparece claramente como o lugar para onde o Brasil não olha e onde aparecem as oportunidades do país assumir diante do mundo o papel de principal protagonista do debate ambiental. No final, o representante do Instituto Escolhas, Sérgio Leitão, diretor de Relacionamento com a Sociedade do Instituto, no painel moderado por Sandra Paulsen, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), conduziu os encaminhamentos para o Fórum Desenvolvimento e Economia de Baixo Carbono na linha de identificação das fontes de recursos, ou seja, de onde virão os recursos para este novo momento da economia. Para tanto, Hector Gomez, country manager para o Brasil da International Finance Corporation (IFC), junto com Bernard Appy, diretor do Centro de Cidadania Fiscal, e ainda Rachel Biderman, diretora do World Resources Institute (WRI) no Brasil, listando os parceiros e as exigências para alavancar recursos. Essa discussão, fica evidente, precisa ocorrer em Manaus, o coração da floresta, para debater o financiamento da transição para o desenvolvimento de baixo carbono, levantando questões sobre como fazer esse processo ser viável no Brasil e no mundo a partir da Amazônia.

Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]

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Assuntos Cieam, Follow Up
administrador 24 de novembro de 2016
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