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Dia a Dia

Deolane tinha ‘cronograma estratégico’ para ocultar bens do PCC, diz polícia

1 de junho de 2026 Dia a Dia
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Deolane ao ser presa: polícia informou que descobriu cronograma de ocultação de dinheiro do PCC (Imagem: Reprodução/TV Globo)
Por Fausto Macedo e Felipe de Paula, do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – Os bens de luxo apreendidos pela Polícia Civil na residência da influenciadora e advogada Deolane Bezerra dos Santos, suspeita de lavar um “oceano de dinheiro” da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), não surpreenderam tanto os delegados do caso quanto o documento encontrado em posse dela intitulado “cronograma estratégico e estruturação corporativa”, segundo investigadores ouvidos pelo Estadão.

O material reúne um passo a passo de como o grupo investigado, ligado diretamente ao líder máximo da facção, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola ‘Narigudo’, atuaria para ocultar e dissimular parte do fluxo de caixa do crime organizado.

Os advogados de Deolane afirmaram ao Estadão que estão analisando o relatório final complementar da Polícia Civil, que vincula a empresária a um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma transportadora de valores do interior paulista atribuída ao PCC. A influenciadora nega qualquer relação com a facção e sustenta. “Não sou bandida”.

Deolane e outros sete investigados, entre eles Marcola e familiares do líder do PCC, e também um contador e um operador do esquema ligado à influenciadora, foram indiciados pela Polícia Civil de São Paulo na sexta-feira (29) pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A defesa de Marcola, conduzida pelo criminalista Bruno Ferullo, afirmou em nota que “o indiciamento constitui ato investigatório e não implica reconhecimento de culpabilidade”.

‘Verdadeiro plano estratégico’

As 12 páginas do documento apreendido na residência de Deolane, no condomínio Tamboré, na Grande São Paulo, durante a Operação Vérnix, deflagrada há duas semanas, indicam, segundo a Polícia Civil, o uso coordenado de empresas de diferentes áreas, como holdings patrimoniais, publicidade, cosméticos e apoio administrativo financeiro para a lavagem de dinheiro do esquema.

Na avaliação da Polícia, esse modelo ajudaria a ocultar a origem do dinheiro, dificultar o rastreamento dos valores e posteriormente reinserir os recursos no mercado formal com aparência de legalidade.

“Da análise do documento apreendido, verifica-se que o material não se limita a simples levantamento cadastral, mas revela verdadeiro plano estratégico de reorganização societária, expansão comercial e adequação regulatória do grupo investigado, com definição de etapas, prazos, status de execução e pessoas jurídicas envolvidas”, diz o relatório complementar subscrito pelos delegados Edmar Rogério Dias Caparroz e Ramon Euclides Guarnieri Pedrão.

O documento sob escrutínio dos investigadores também cita a empresa DB Santos Apoio Administrativo e Financeiro Ltda, ligada a Deolane. No curso das apurações, a companhia aparecia registrada em um endereço apontado pela Polícia como de fachada, em Martinópolis, no interior paulista, a 440 quilômetros de São Paulo.

No material apreendido com Deolane, porém, a empresa já consta sediada em outro endereço, no Jardim Grimaldi, na zona Leste da capital paulista. Segundo consulta dos policiais à Junta Comercial de São Paulo, a mudança de endereço foi formalizada recentemente, em 22 de abril de 2026. Para os investigadores, isso reforça a suspeita de continuidade das movimentações financeiras e societárias atribuídas ao grupo.

A Polícia também destaca que o documento “Cronograma Estratégico e Estruturação Corporativa – Grupo Deolane”, datado de maio passado, menciona medidas imediatas, expansão comercial prevista para julho e alterações recentes em empresas ligadas à estrutura investigada.

Os delegados anotam no relatório parcial encaminhado à Justiça que “o documento apreendido fortalece a hipótese de que o grupo investigado buscava aperfeiçoar mecanismos de lavagem de dinheiro mediante reorganização societária, pulverização empresarial, expansão de atividades comerciais e utilização de pessoas jurídicas formalmente distintas”.

Cadillac e 19 relógios

As buscas realizadas na residência de Deolane resultaram na apreensão de veículos de luxo, joias, relógios, dinheiro em espécie, moeda estrangeira, aparelhos eletrônicos e documentos considerados relevantes para a investigação.

“A apreensão desse conjunto de bens revela a existência de acervo patrimonial de alto padrão, composto por ativos móveis de elevado valor, fácil transporte e potencial liquidez, compatíveis com estratégias de preservação ou conversão patrimonial em contextos de lavagem de capitais”, anotam os delegados.

Entre os bens recolhidos estão uma Mercedes-Benz AMG G63, um Jeep Commander Limited, uma Cadillac Escalade e uma Land Rover Range Rover P530. Segundo os investigadores, os veículos estavam registrados em nome de diferentes empresas, o que levantou suspeitas sobre o possível uso de pessoas jurídicas para ocultar patrimônio.

No interior da casa de Deolane também foram apreendidos 19 relógios de alto luxo, diferentes marcas e modelos, além de 40 joias e dinheiro vivo – R$ 51,4 mil e 1.550 euros. Os agentes recolheram, ainda, celulares, notebooks, MacBooks, iPads, CPUs e computadores iMac, que passarão por uma minuciosa perícia.

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Assuntos Deolane Bezerra, Lavagem de Dinheiro, Marcola, PCC, Primeiro Comando da Capital
Cleber Oliveira 1 de junho de 2026
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