
Por Feifiane Ramos, do ATUAL
MANAUS – A vazante do Rio Tapajós reduziu a profundidade em trechos da rota entre Miritituba e Santarém, usada por comboios de barcaças para transportar grãos. Segundo o Serviço Geológico do Brasil, as embarcações são projetadas para navegar com 4,5 metros de profundidade quando estão totalmente carregadas, mas esse nível está menor em parte do trajeto.
Com a redução, as empresas devem diminuir a quantidade de grãos transportada. A AMPORT (Associação dos Terminais Portuários e Estações de Transbordo de Cargas da Bacia Amazônica) informou que ainda não houve redução de carga ou mudança na operação das embarcações. A entidade prevê alterações nas próximas semanas.
Em Itaituba, a régua do SGB marca 3,44 metros, enquanto em Santarém está em 3,84 metros. O nível atual em Itaituba está em 2,61 metros acima da menor cota registrada durante a seca de 2024, quando o rio chegou a 0,83 metro.
Segundo o pesquisador do SGB David Franco Lopes, o cenário atual ainda está distante daquela seca extrema. A profundidade, no entanto, varia ao longo do rio e alguns pontos podem apresentar restrições mesmo com a cota geral acima dos níveis de 2024.
Trechos de atenção
O SGB cita como trecho que exige maior atenção a área entre Fordlândia, Barreiras e Pimental, onde as cartas náuticas indicam pontos com cerca de 2 metros de profundidade.
Os chamados “passos críticos” são áreas com bancos de areia ou formações rochosas submersas que dificultam a navegação. Entre os pontos citados pelo pesquisador estão Costa de Santarenzinho, Lago do Roque, Ilha do Boiador/Ponta do Monte Cristo, Ilha Barranco do Navio, Passagem do Itapaiúnas, Pedral de São Tomé e Pedral do Surucuá.
A AMPORT cita Itapaiunas, Barranco do Navio e Monte Cristo entre os trechos que mais preocupam o setor. De acordo com Lopes, no auge da seca, a profundidade nesses locais pode ficar abaixo de 2,5 metros, dificultando ou impedindo a passagem segura das barcaças.
A altura registrada na régua do SGB não corresponde diretamente à profundidade disponível para as embarcações. Segundo o pesquisador, as réguas e as cartas náuticas da Marinha utilizam referências diferentes. Por isso, a avaliação das condições de navegação depende da profundidade efetiva dos canais e dos pontos críticos.
O pesquisador afirma que o Dnit considera profundidades mínimas da ordem de 2,5 metros no Baixo Tapajós. Com a continuidade da vazante, uma redução adicional pode provocar diminuição de carga, limitações operacionais e restrições nos trechos mais rasos.
Transporte de cargas
Apesar da redução dos níveis, o transporte pelo Tapajós está normal. Segundo dados da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) informados pela AMPORT, 2.217.398 toneladas de cargas foram transportadas pelo rio no primeiro bimestre de 2026. A soja foi o principal produto movimentado.
Os comboios que fazem a rota entre Miritituba e Santarém são formados por longas filas de barcaças. Em Santarém, os grandes navios de exportação têm autorização da Marinha para navegar em águas com 11,75 metros de profundidade, conforme o SGB.
A Portaria nº 52/2024-CFS-MB, citada pelo pesquisador, determina que, quando o nível do Tapajós atingir 3 metros na régua de Itaituba, as empresas devem realizar levantamento hidrográfico operacional para verificar a largura e a profundidade dos canais nos pontos críticos.
Atualmente, com a régua em 3,44 metros, o nível ainda está acima dessa marca. O SGB mantém o acompanhamento da vazante, enquanto o setor portuário prevê possíveis alterações na operação nas próximas semanas.
