
Por Iolanda Ventura, da Redação
MANAUS – As advogadas da família de Flávio Rodrigues dos Santos, 42, contestam argumentos dos advogados de Alejandro Molina Valeiko, 29, de que o engenheiro civil saiu vivo da casa de Valeiko porque estava no banco do carro e não no porta-malas. Em entrevista nesta segunda-feira, 2, as advogadas disseram que ainda não é possível afirmar que Flávio morreu fora da casa no condomínio de luxo Passaredo, na Ponta Negra, zona oeste de Manaus. As advogadas também afirmam que a confissão de Mayc Parede sobre a autoria do crime “não é confiável”.
Também nesta segunda-feira, Alejandro Valeiko teve a prisão preventiva mantida pela juíza Lina Marie Cabral após audiência de custódia realizada no Fórum Henoch Reis. Na última sexta-feira, 29, ele teve a prisão temporária convertida em prisão preventiva e a decisão foi mantida.

A advogada Náiade Perrone alega que em depoimentos prestados à polícia pelos envolvidos no assassinato de Flávio alegaram que o porta-malas do carro estava cheio de bebidas e por isso não haveria espaço . “Está nos autos, está comprovado por depoimento até de mais de uma pessoa que o carro que saiu com o Flávio, vivo ou morto daquela casa, estava com o porta-malas cheio de bebidas”, disse Perrone.
De acordo com a advogada, o par de sapatos de Flávio foi encontrado pela perícia dentro da casa com vestígios de sangue. “No momento da apreensão o investigado Vittorio estava na casa e presenciou a apreensão dos dois pares de sapatos. Os pares de sapatos indicados, um par do Alejandro e um par do Flávio. E feito o exame de DNA no par de sapatos apreendido dentro da casa pertencente à vítima foi constatada a presença de material genético da vítima”, afirmou Perrone.
Geysa Mitz Guimarães, também advogada da família de Flávio, questionou a defesa de Alejandro quanto às afirmações feitas em entrevista na última quinta-feira, 28, de que o sangue dentro da casa era somente de Alejandro. Segundo Geysa Guimarães, eles (advogados de Alejandro) poderiam entrar na casa na realização da perícia, mas recusaram. “Os outros advogados não tiveram interesse de entrar. Causa estranheza que agora eles venham dizer como que foi encontrado o sapato se não estavam lá. Eles não estavam no interior da casa porque não quiseram”, disse Guimarães.
Já Náiade Perrone afirma que se Flávio Rodrigues saiu vivo da casa, a morte do engenheiro poderia ter sido evitada já que o policial militar Elizeu da Paz Souza disse em depoimento que tirou o capuz que usava quando entrou na residência podendo ser reconhecido e logo em seguida policiais chegaram ao condomínio. “Porque eles insistem em dizer que o Flávio saiu vivo de lá. Se ele saiu vivo, então esse resultado poderia ter sido evitado porque imediatamente após a saída do Flávio chegou uma guarnição da polícia militar e não foi informado quem foi que levou”, afirmou Perrone.
De acordo com Geyse Guimarães, Alejandro Valeiko reconheceu Elizeu quando entrou na casa com o rosto coberto e se a vítima saiu viva, contribuiu para a sua morte. “O próprio Alejandro disse em depoimento que mesmo antes dele (Elizeu) tirar a balaclava, ele foi reconhecido. Reconheceu pela voz, pelo olhar, porque era alguém da convivência dele. O Alejandro falou isso em depoimento ‘eu reconheci ele, e não falei nada por medo porque eu sei que ele é capaz de matar alguém’. Sabendo do que ele era capaz de fazer, mesmo assim ele omitiu essa informação da polícia durante dias, e com certeza contribuiu, se o Flávio realmente saiu vivo de lá, contribuiu para a morte do Flávio diretamente”, disse a advogada.
Por este motivo, Náiade Perrone acredita que a confissão do crime por Mayc Vinícius Teixeira, o Mayc Parede, não seja confiável. “Então, a partir do momento que nós sabemos que ele [Flávio] foi ferido ali dentro daquela casa, que pessoas que ali ficaram e imediatamente após tiveram contato com policiais, que poderiam ter evitado esse resultado, quem sabe se ele realmente saiu vivo de lá, e não fizeram, tem participação”, disse Perrone.
Não convence

Para a advogada Geysa Guimarães, a confissão de Mayc Parede conflita com outros depoimentos e com suas negativas em contribuir com as investigações. “Ele não participou da reconstituição, ele inicialmente se negou a fornecer material biológico para a polícia, forneceu só depois. Então, se ele confessa um crime por que razão ele se negaria a contribuir com as investigações?”, disse.
Prisão mantida
A juíza Lina Marie Cabral manteve a prisão preventiva de Alejandro Valeiko. Na última sexta-feira, 29, ele teve a prisão temporária convertida em prisão preventiva e após audiência de custódia realizada nesta segunda-feira, 2, a decisão foi mantida. Veja a nota na íntegra:
“A Central de Inquéritos do TJAM informa que, atendendo pedido da defesa de Alejandro Molina Valeiko, a juíza responsável pelo processo, Lina Marie Cabral, realizou na manhã desta segunda-feira (01/12) a audiência de custódia do referido indiciado que, na última sexta-feira (29), teve a prisão temporária convertida em prisão preventiva, situação que se manteve inalterada após a audiência.
No Termo de Audiência de Alejandro, a juíza estendeu aos indiciados Elizeu da Paz de Souza e Mayc Teixeira Parede – que também tiveram a prisão temporária convertida em preventiva na última sexta -, o direito de passar pelo mesmo procedimento (audiência de custódia). As defesas de ambos tomarão ciência da decisão no processo, após o que será designada a data das referidas audiências.”
Da Ascom TJAM
(Colaborou Alessandre Taveira)
