
Do ATUAL
MANAUS – O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), afirmou, em ofício enviado ao MPAM (Ministério Público do Amazonas) na terça-feira (30), que a viagem dele ao Caribe em fevereiro deste ano não tinha caráter institucional, mas que um subsecretário, na “qualidade de servidor público”, estava a bordo da aeronave. Ele não explicou qual o serviço e nem a identidade do servidor.
David viajou em avião fretado pelo empresário Roberto de Souza Lopes, dono da Royal Tech, que tem contrato com a Prefeitura de Manaus para serviços de impressão. Em resposta ao jornal O Globo, ele disse que a viagem não foi planejada e que foi convidado pelo empresário, que conhece há anos.
O MPAM solicitou explicações de David Almeida após receber denúncia com suspeita de irregularidades. No ofício, o prefeito afirmou que a viagem foi custeada com recursos próprios e que “não houve a utilização de recursos públicos”.
“Sirvo-me do presente para esclarecer a Vossa Excelência que a viagem foi empreendida em caráter não institucional, em período de feriado e ponto facultativo estabelecido pelo município de Manaus, portanto, sem exercício de atividades públicas”, diz trecho do ofício enviado ao MPAM.
“Outrossim, dentre os viajantes, na qualidade de servidor público, apenas o subsecretário de Gestão de Pessoal da Secretaria Municipal de Administração, Planejamento e Gestão – Semad, Valcerlan Ferreira Cruz, enquanto os demais não possuem vínculo funcional com a administração pública”, diz outro trecho do ofício.
O Ministério Público pediu, além dessas explicações, a lista de contratos que a empresa tem com o município. A prefeitura listou quatro contratos firmados com a empresa. Apenas um deles está vigente, com validade até agosto deste ano.
A viagem do prefeito gerou polêmica na Câmara Municipal. Parlamentares de oposição protocolaram requerimento de convocação do prefeito, mas o pedido foi derrubado.
O líder do prefeito na CMM, Eduardo Alfaia (PMN), rebateu os colegas que criticaram o prefeito e alegou que a viagem “de férias” é normal. Ele também disse que o valor do contrato de Roberto Lopes com a prefeitura é de R$ 1.700 por mês apenas para locação de impressoras ao Poder Público. O valor é referente ao contrato de 2023, no valor de R$ 21.246,00, com a empresa Royal Tech.
O ATUAL solicitou à Prefeitura de Manaus informação sobre o servidor público que viajou ao Caribe, e se ele cumpria alguma missão funcional. Até a publicação desta matéria, não houve resposta.
