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Valmir Lima

Costuras e conchavos: o caso Hissa Abrahão

27 de junho de 2014 Valmir Lima
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Toda eleição é a mesma coisa: os políticos dos mais variados partidos lançam-se como pré-candidatos (eu prefiro chamar de aspirantes a candidato) para depois negociar uma colocação melhor ou pior na disputa. Claro que ninguém almeja uma colocação pior, mas acontece, como aconteceu com o primeiro aspirante da disputa, Hissa Abrahão (PPS).

Nos primeiros meses da gestão do prefeito Arthur Virgílio Neto (PSDB), quando nem bem o eleitorado havia se curado da ressaca eleitoral de 2012, Hissa, na condição de secretário de Infraestrutura do município, foi à Câmara Municipal de Manaus e anunciou-se candidato a candidato nas eleições do ano seguinte ao Governo do Amazonas.

Hissa esperava que a antecipação lhe trouxesse adesões, devido ao histórico dele nas duas últimas disputas: em 2010 ele teve desempenho razoável, com 138.281 votos e o terceiro lugar (9,36% dos votos válidos); em 2012, contribuiu para a eleição de Arthur Virgílio Neto. Os apoios não vieram, pelo contrário, houve um movimento patrocinado pelo próprio prefeito para tirá-lo da disputa.

Arthur tentou, primeiro, dissuadi-lo de disputar o governo. Não conseguindo, o demitiu do cargo de secretário da Seminf, e o isolou em um velho gabinete do prédio da Compensa, sede da Prefeitura de Manaus, onde nem Arthur costuma aparecer (todos sabem que as agendas públicas de Arthur são feitas no Palácio Rio Branco, gentilmente cedido pelo governo do Estado).

Sem o apoio de lideranças de peso, Hissa também não conseguiu adesão de partidos menores em torno de uma candidatura, apesar de os números das pesquisas de intenção de voto o colocarem em posição confortável.

E como no jogo político só sobrevive quem tem uma base de apoio razoável, o representante do PPS foi obrigado a ceder, a desistir, mesmo, do propósito de disputar o governo, e virou presa fácil para Eduardo Braga, que o queria fora da disputa, não porque o temia no confronto, mas para minar as possibilidades de segundo turno, já que essa possibilidade era maior com Hissa candidato ao governo.

Arthur, que não queria ver Hissa candidato, nesta reta final, depois de anunciar apoio do PSDB ao governador José Melo, procurou Hissa para lhe oferecer apoio numa eventual disputa ao governo. Queria Arthur que Hissa disputasse com Braga, Melo e outros candidatos ao governo, não porque acreditava na candidatura de seu vice-prefeito, mas porque enxergava a mesma coisa que Braga: Hissa na disputa aumenta as chances de segundo turno.

Arthur perdeu a batalha por motivos óbvios, e Hissa será candidato a deputado federal, com chances duvidosas de vitória.

Além dele, Rebecca Garcia (PP) sustentava que seria candidata ao governo, e acabou vice de Eduardo Braga. Henrique Oliveira (SDD), que também ensaiou candidatura, fechou com Melo e Omar para ser vice na chapa do governador.

Os termos dos acordos para que essas alianças se formem são tema para outro texto.


Valmir Lima é jornalista, graduado pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas); mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia (Ufam), com pesquisa sobre rádios comunitárias no Amazonas. Atuou como professor em cursos de Jornalismo na Ufam e em instituições de ensino superior em Manaus. Trabalhou como repórter nos jornais A Crítica e Diário do Amazonas e como editor de opinião e política no Diário do Amazonas. Fundador do site AMAZONAS ATUAL.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos candidatura, Hissa Abrahão
administrador 27 de junho de 2014
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