
Por Thiago Gonçalves, do ATUAL
MANAUS – A chuva intensa em Manaus na manhã desde domingo (18) aliviou a poluição do ar causada pela fumaça de incêndios florestais que atingiu nível perigoso à saúde no sábado (17). A temperatura média às 10h24 era de 26°C. No sábado atingiu 36°C.
A Defesa Civil emitiu um alerta de risco severo para alagamentos e enxurradas. O aviso, enviado por mensagem aos celulares, orientou a população a redobrar os cuidados diante das condições meteorológicas. Em caso de emergência, os números informados são 199, da Defesa Civil, e 193, do Corpo de Bombeiros.
De acordo com a meteorologista, pesquisadora e professora da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Juliane Querino, a previsão do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) para Manaus neste domingo é de céu nublado a parcialmente nublado, com pancadas de chuva e trovoadas.
Mesmo com alívio na concentração de fumaça sobre a cidade, a chuva não elimina completamente os poluentes. “Reduz a fumaça, sim. Porém, se ainda houver focos de queimadas, haverá emissão de fumaças”, explicou a meteorologista.
O Inmet mantém Manaus sob alerta amarelo de perigo potencial para tempestades, com previsão de ventos intensos que podem atingir entre 40 km/h e 60 km/h. A chuva pode chegar a 30 mm por hora em pontos isolados, com acumulado de até 50 mm ao longo do dia.
“Essas chuvas não são irregulares. São típicas do período de transição do período seco para período chuvoso. No verão amazônico ocorrem chuvas do tipo convectivas que acontecem pela forte incidência de energia solar sobre a superfície que aumenta a temperatura e o ar se eleva de maneira rápida, resfriando e formando nuvens do tipo cumulus. Conhecidas como nuvens de tempestades”, explicou a meteorologista
“A chuva irregular acontece quando a precipitação acontece de forma desigual no tempo e no espaço, variando bastante em volume e frequência em uma mesma região. Comum na época seca aqui na região. Período seco na região varia de junho à setembro”, acrescenta Juliane Querino.
Ventos
Segundo Juliane Querino, a velocidade e a direção do vento são fatores importantes para compreender o comportamento da fumaça na atmosfera. A velocidade influencia a dispersão dos poluentes, enquanto a direção ajuda a identificar para onde a fumaça pode se deslocar.
A especialista destacou que a chuva representa um auxílio no combate às queimadas, considerando a intensidade dos incêndios registrados na região. Apesar disso, ela defende a continuidade das ações de enfrentamento.
“Pela intensidade das queimadas, a chuva é um auxílio neste combate. É necessário que essa força-tarefa do governo continue, porque os focos de queimadas são muitos”, afirmou.
Risco à saúde
A meteorologista também alertou para a necessidade de reforçar as medidas de proteção à saúde diante da exposição à fumaça. Segundo ela, o aumento da poluição atmosférica pode contribuir para o crescimento dos casos de doenças respiratórias.
Crianças, idosos e pessoas mais vulneráveis exigem atenção especial, pois podem apresentar sintomas associados à exposição à fumaça com maior facilidade.
A recomendação é manter os cuidados mesmo durante períodos de chuva, principalmente enquanto houver focos de queimadas e emissão de fumaça.
Prevenção
Para Juliane Querino, as medidas de combate aos incêndios precisam ser acompanhadas de ações preventivas permanentes. Ela ressaltou que o período seco na região amazônica é sazonal e que as queimadas também representam um problema recorrente.
Por isso, o planejamento e a prevenção devem ser realizados anualmente, e não apenas quando a fumaça e os incêndios se intensificam.
A professora informou ainda que a Ufam está desenvolvendo ações relacionadas ao tema. Segundo ela, foi formada uma comissão para auxiliar a reitoria, da qual também participa.
Enquanto a chuva pode contribuir temporariamente para diminuir a concentração de poluentes, a redução mais duradoura da fumaça depende do controle dos focos de queimadas e da continuidade das medidas de prevenção e combate aos incêndios.
