
Do ATUAL
MANAUS – A poluição do ar em Manaus neste sábado (17), causada pela fumaça de incêndios florestais, atingiu nível maior que o limite aceitável e sem risco à saúde com base no modelo da OMS (Organização Mundial de Saúde). O índice considerado moderado varia de 12,1 a 35 PM2,5 (microgramas por metro cúbico – µg/m³) por um tempo máximo de 24 horas. Acima de 150 ug/m³ é classificado como situação de emergência de saúde pública. Neste sábado, em algumas áreas de Manaus, o índice foi de até 537,7.
Por que o PM2,5 é tão perigoso? É que essas partículas são microscopicamente finas (cerca de 3% da espessura de um fio de cabelo). Por serem tão minúsculas, elas driblam os filtros naturais do nariz e do sistema respiratório, penetrando profundamente nos pulmões e entrando direto na corrente sanguínea, espalhando a inflamação por todo o corpo.
Neste sábado, a plataforma internacional IQAir de medição da poluição do ar manteve Manaus no topo do ranking de pior qualidade do ar no país. Na IQAir, o índice chegou a 637 pontos às 7h, com concentração de PM2,5 de 394,3 microgramas por metro cúbico (µg/m³).
Às 8h50, um ponto de monitoramento no bairro Aparecida, na região central, marcou 537,7 µg/m³ de PM2,5, enquanto outro, no extremo leste de Manaus, registrou 526 µg/m³. Os dois resultados superaram o pico de 490,1 µg/m³ do dia 8 de outubro, que era o maior valor identificado até então no levantamento consultado. Ou seja, muito acima do limite aceitável.
Nesta sexta-feira (16), a capital já havia retomado o primeiro lugar entre as cidades brasileiras monitoradas pela plataforma, após ficar em segundo lugar no dia anterior.
Mesmo com a piora expressiva da qualidade do ar em diversos pontos da cidade, os valores correspondem a locais específicos de monitoramento e não representam uma média de toda Manaus. Assim, é possível afirmar que os pontos citados superaram o máximo anterior identificado na série consultada, mas não concluir que a cidade inteira atingiu um recorde geral de poluição.
O Selva (Sistema Eletrônico de Vigilância Atmosférica), que monitora o ar em Manaus, utiliza sensores de baixo custo, cujas leituras são indicativas das condições locais e podem variar conforme fatores ambientais, como vento e presença de fumaça.
Nesta semana, meteorologistas alertaram que as chuvas dos últimos dias não garantiriam uma melhora duradoura na qualidade do ar enquanto os focos de incêndio persistirem na região, mesmo com o reforço das ações do governo federal no combate às queimadas. A expectativa é de chuvas mais intensas no Amazonas a partir deste domingo (18).
Confira a escala de PM2,5 para a qualidade do ar e seu nível de gravidade.
0 a 12 µg/m³ (Baixo risco / Excelente): Nível considerado saudável, com pouco ou nenhum impacto à saúde. É a meta ideal de bem-estar
12,1 a 35 µg/m³ (Moderado): Aceitável para a maioria das pessoas. Contudo, indivíduos altamente sensíveis (como asmáticos graves) podem apresentar sintomas leves.
35,1 a 55 µg/m³ (Insalubre para grupos sensíveis): O risco real começa aqui. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças cardíacas ou respiratórias pré-existentes devem evitar esforço prolongado ao ar livre
55,1 a 150 µg/m³ (Insalubre): Toda a população começa a sentir os efeitos colaterais (tosse, ardência nos olhos, cansaço). O risco de crises respiratórias e problemas cardiovasculares agudos aumenta de forma expressiva.
Acima de 150 µg/m³ (Muito ruim / Péssimo / Perigoso): Situação de emergência de saúde pública.
Os riscos de infarto, AVC e crises severas de asma disparam. Recomenda-se que todos permaneçam em ambientes fechados e usem máscaras adequadas (como as do tipo PFF2/N95) caso precisem sair.
