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Dia a Dia

Chacina: defesa de PMs pede quebra de sigilo telefônico de vítimas

17 de abril de 2023 Dia a Dia
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Viaturas escoltaram carro de vítimas da chacina do ramal Água Branca (Foto: Reprodução)
Por Felipe Campinas, do ATUAL

MANAUS – A defesa dos 16 policiais militares da Rocam (Ronda Cândido Mariano) suspeitos de envolvimento na chacina do Ramal Água Branca classificou a denúncia contra eles como “genérica, confusa e prolixa”. Os advogados pediram a soltura dos PMs e a quebra do sigilo das vítimas para “identificar sua ligação com o crime organizado”.

Doze agentes estão presos no Batalhão da Polícia Militar do Amazonas, em Manaus, desde o dia 24 de dezembro, e outros quatro, desde o dia 17 de fevereiro. Eles são acusados das mortes de Diego Máximo Gemaque, de 33 anos, Lilian Daiane Máximo Gemaque, 31 anos, Alexandre do Nascimento Melo, 29 anos, e Valéria Pacheco da Silva, 22 anos.

As vítimas foram encontradas mortas na manhã do dia 21 de dezembro em um veículo Ônix no ramal Água Branca, na rodovia AM-010. Os policiais se tornaram suspeitos após a repercussão de vídeos gravados por moradores que mostram o momento em que eles fizeram a abordagem no veículo das vítimas na Rua Portland, no bairro Nova Cidade, horas antes dos assassinatos.

Neste fim de semana, ao apresentarem resposta à denúncia do MP-AM (Ministério Público do Amazonas) contra os PMs, a advogada Tallita Lindoso e os advogados Cândido Honório Neto e Leonardo da Cunha apontaram “conjecturas e ilações” no documento. “Nada é claro na inicial acusatório, muito pelo contrário, e extremamente longa, confusa, prolixa e massiva”, disseram.

Os advogados reclamaram da falta de fatos na denúncia. “Impossível o exercício de defesa, tendo em vista que não há fatos a serem contrariados, mas sim teorias, a acusação na verdade se baseou em duvidas e afirmou que não teria lógica na conduta dos acusados sendo este o motivo de afirmarem serem eles os autores do delito”, disse a defesa.

De acordo com os advogados, a arma do crime não é compatível com o armamento dos acusados e nem das destinadas para as viaturas em que estavam os PMs. Além disso, segundo a defesa, não foi possível identificar a presença de nenhuma das viaturas no local onde ocorreram os crimes e todos os acusados “estavam comprovadamente em outro local na hora dos fatos”.

“A investigação dirigida pela polícia até o momento tem desvirtuado a sua essência haja vista claramente estar sendo conduzida como uma instrução processual que busca provar a culpa dos requerentes e não buscar de maneira imparcial todas as linhas de investigação possíveis para elucidar os fatos”, afirma a defesa dos PMs.

Os advogados pediram uma “retratação” do juiz responsável pelo caso na 2ª Vara do Tribunal do Júri em relação a decisão que aceitou a denúncia contra os agentes no dia 21 de março. Além disso, pedem a soltura dos agentes, sob alegação de que não há risco de fuga, e a quebra do sigilo telefônico das vítimas para investigar a ligação delas com o crime organizado.

“Requer que seja determinada a quebra de sigilo telefônico das vítimas a fim de identificar sua ligação com o crime organizado, bem como diligências no sentido de identificar e ouvir todos os demais veículos que foram localizados nos relatórios monitoramento especialmente o ônix branco, placa QZO3B24 e Renault kwid, placa PHX-3A13”, diz a defesa.

Leia mais: Policiais decidiram em ‘tribunal’ como executar chacina em ramal

Momento da abordagem dos policiais da Rocam no veículo que estavam as vítimas (Foto: Reprodução)

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Assuntos Chacina, Investigação, manchete, policiais militares, Rocam
Felipe Campinas 17 de abril de 2023
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