
Do ATUAL
MANAUS – O casal Adailton Cruz de Souza, 35 anos, e Daiane dos Santos Vicente da Silva, 33, foi preso por policiais civis do Amazonas suspeito de realizar abortos clandestinos em Manaus. Adailton e Daiane foram detidos na quinta-feira (10). Segundo o delegado Cícero Túlio, do 1° Distrito Integrado de Polícia, o casal cobrava até R$ 1,6 mil pelo procedimento.
Cícero Túlio disse que o casal divulgava os serviços em redes sociais e plataformas de comércio eletrônico. “Inicialmente, os autores acabavam publicando em redes sociais de comércio eletrônico o anúncio dos seus serviços, tanto na venda de pílulas utilizadas para a prática dos abortos, como também na espécie de consultoria e assessoria prestada no momento em que a pessoa fosse fazer o aborto”, afirmou.
“Os valores cobrados dependiam da quantidade de semanas da gestação e da complexidade de cada caso. Inclusive, há notícias de que alguns abortos foram praticados em fetos com mais de 5 meses, o que configuraria um grande risco para a gestante”, disse o delegado.
Cícero Túlio disse que a polícia monitorava os suspeitos há uma semana. “Tínhamos conhecimento de que essa mulher iria realizar um aborto no início da tarde de ontem (quarta-feira). As equipes se deslocaram ao local e, na chegada dela, conseguimos fazer a abordagem. Com ela, foram encontradas diversas pílulas utilizadas na prática do aborto”.
Adailton também estava com mais pílulas abortivas no momento da abordagem policial. “Ele ficava responsável por manter contato com as vítimas por telefone, fazia as negociações e repassava o material. Depois, a esposa fazia a entrega e dava a consultoria no momento da interrupção da gravidez”, disse Cícero Túlio.
Conforme o delegado, Ailton e Daiane revelaram a realização de pelo menos 12 abortos nos últimos dois meses. “A gente acredita que como esse esquema funciona há mais de um ano, muitas outras pessoas tenham se utilizado desse tipo de serviço. Isso é objeto da investigação”, completou o delegado.
A polícia identificou uma mulher que disse ter interrompido a gravidez com o auxílio do casal. “Ela revelou que não sabia quem era o pai da criança e optou por interromper a gravidez. Segundo ela, o feto tinha aproximadamente um mês”, relatou Cícero Túlio.
O casal vai responder por aborto, tráfico de drogas, associação para o tráfico e corrupção de produtos com fins terapêuticos. “Não há registros de antecedentes criminais contra eles, mas esperamos que outras vítimas compareçam à delegacia com novas denúncias”, concluiu o delegado.
