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Dia a Dia

Divulgadoras de ciência combatem desinformação com humor

14 de maio de 2026 Dia a Dia
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Mariana Kruger fantasiada de bactéria: performance para informar sobre ciência (Imagem: Instagram/Reprodução)
Mariana Kruger fantasiada de bactéria: performance para informar sobre ciência (Imagem: Instagram/Reprodução)
Por Juliana Domingos de Lima, do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – Quem gosta de ciência, ou simplesmente tenta navegar no mar de conteúdos desinformativos das redes sociais em busca de fontes confiáveis, deve ter se deparado com o trabalho das divulgadoras científicas do canal ‘Nunca vi 1 cientista’, Ana Bonassa e Laura Marise, e da bióloga Mariana Krüger.

Laura afirma que, num cenário em que cada vez mais “pessoas se informam através de pessoas, e não de veículos de comunicação”, o papel dos divulgadores científicos é ocupar o espaço na internet para trazer informação de maneira responsável.

As divulgadoras participaram nesta quinta-feira (14) do painel Ciência que Conecta: Como Transformar Conhecimento em Conversa, que contou com mediação da jornalista Chloé Pinheiro, no São Paulo Innovation Week (SPIW).

Além da formação em áreas de ciências biológicas, as comunicadoras têm em comum o uso do humor para tratar de temas complexos de forma acessível e descontraída: Krüger, por exemplo, se vestiu de bactéria em um vídeo viral, enquanto a dupla do ‘Nunca vi 1 cientista’ publica semanalmente o ‘Top surtos’, vídeo de desmentidos sobre conteúdos enganosos que ganham alcance nas redes e influenciam o comportamento das pessoas.

Esse trabalho pode ser como “enxugar gelo”, aponta Chloé. Por isso, segundo Ana Bonassa, além de desbancar mentiras, elas tentam dar noções de letramento científico aos seguidores para que consigam identificar a desinformação por conta própria.

Mas, afinal, quem o conteúdo de divulgação consegue alcançar? Mariana Kruger se questiona se seu trabalho chega àqueles que mais quer atingir, como pessoas antivacina. “Falar pra convertidos também serve para muni-los de informação caso precisem fazer o papel de falar com quem precisa se converter”, diz. “É uma rede que vai se espalhando”.

Para Laura, a divulgação científica também tem um papel em falar com quem está “em cima do muro”, quem tem dúvidas sobre um assunto e não sabe onde buscar informação.

‘Nova roupagem’

As divulgadoras avaliam que há um cenário diferente de desinformação sobre ciência e saúde no ambiente digital desde a pandemia de Covid-19.

Para Ana, as checagens tinham muita atenção durante a crise sanitária, mas perderam espaço nas manchetes em parte por conta da saturação da audiência. “As pessoas não querem ver a correção. Querem ver o estardalhaço”, avalia.

Segundo Laura, outra mudança está na forma. “A desinformação se tornou mais parecida com a informação”, afirma.

Antes, notícias falsas eram mais discrepantes; hoje, ela afirma que aparentam ser mais consistentes, sendo divulgadas até mesmo por profissionais de saúde. Algumas vezes, partem de um princípio correto e inserem uma informação enganosa para vender algo. “Tem uma outra roupagem”, diz.

Quando há perfis de milhões de seguidores e aparente credibilidade espalhando desinformação, elas afirmam que se torna necessário expor quem são. Essa exposição, embora necessária, pode gerar consequências para os divulgadores.

“Eu não sabia que podia ser processada por dar uma informação correta na internet”, diz Ana. Elas foram condenadas a pagar indenização por danos morais a um nutricionista que divulgou que o diabetes era causado por vermes, mas a decisão foi revertida pelo STF.

Segundo Laura, parte do que mantém esses perfis ativos é o silenciamento de quem aponta a desinformação. “Fazem assédio judicial para que todo mundo que fala mal deles seja silenciada”, afirma.

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Assuntos Ciência, cientistas, redes sociais
Cleber Oliveira 14 de maio de 2026
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