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MANAUS — O capitão da Polícia Militar Wilkens Diego Feitosa da Silva e outros dez policiais foram presos preventivamente na operação Simulacrum, na manhã desta sexta-feira (13), deflagrada pelo Ministério Público do Estado do Amazonas. O MP investiga o envolbimento dos policiais na morte de João Paulo Maciel dos Santos, de 19 anos, ocorrida em outubro de 2025 no bairro Vila da Prata, zona oeste de Manaus. Os PMs envolvidos são da Rocam (Ronda Ostensiva Cândido Mariano) e a ação foi registrada em vídeo.
Os outros policiais presos são Alain José Campos da Silva Junior, Denis Ferreira de Souza, Fernanda Braga de Oliveira, Gelson Zanelato Filho, Humberto Gondin Barbosa Neto Passos, Jean Thiago Correia Negreiros, Luilson Marlon Valentim, Marcel Alves de Paiva, Rudicimar Cunha Cativo, Tiago Salim de Lima.
Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra Alain José Campos da Silva Junior, André Matos de Brito, Denis Ferreira de Souza, Fernanda Braga de Oliveira, França de Jesus Gurgel Leitão, Gean Gurgel Leal, Gelson Zanelato Filho, Humberto Gondin Barbosa Neto Passos, Jean Thiago Correia Negreiros, Jurandir Sena da Silva Junior, Luilson Marlon Valentim, Marcel Alves de Paiva, Roniery Cruz Gonçalves, Ronildo Farias de Sousa Filho, Rudicimar Cunha Cativo, Silvano dos Santos de Lima, Tiago Pereira de Oliveira, Tiago Salim de Lima e Wilkens Diego Feitosa da Silva.
A investigação envolve 19 policiais militares e é conduzida pelas 60ª e 61ª Promotorias de Justiça Especializadas no Controle Externo da Atividade Policial e Segurança Pública (Proceapsp), sob a coordenação dos promotores Armando Gurgel Maia e Daniel Silva Chaves Amazonas de Menezes. Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara do Tribunal do Júri da Capital.
Foram expedidos 38 mandados judiciais, sendo 11 de prisão preventiva, 19 de busca e apreensão e oito medidas cautelares diversas da prisão. Os policiais estão detidos no Batalhão da Rocam, no Distrito Industrial.
Segundo o Ministério Público, 19 policiais militares foram denunciados, com 11 denúncias por homicídio qualificado e 12 por fraude processual — quatro deles respondem pelos dois crimes.
O cumprimento das medidas contou com o apoio da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), por meio de equipes da Diretoria de Justiça e Disciplina (Polícia Judiciária Militar), além da colaboração da unidade de origem dos policiais investigados, a Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam).
A morte de João Paulo Maciel gerou repercussão com a divulgação de vídeo nas redes sociais. Nas imagens, o jovem aparece sendo abordado por vários policiais em uma viela no Beco Arthur Virgílio, no bairro Vila da Prata. Ele é imobilizado e levado por um beco. Em seguida, os policiais aparecem carregando o corpo em um lençol.
De acordo com a Polícia Militar, a equipe recebeu uma denúncia anônima sobre homens armados comercializando drogas e os suspeitos teriam reagido à abordagem. Na ação foram apreendidos drogas, um revólver calibre 38, duas balanças e R$ 152 em espécie.
Nas redes sociais, familiares e amigos contestaram a versão da polícia e afirmam que o jovem estava desarmado e morreu injustamente.
A advogada Doracy Queiroz, que representa a família de João Paulo, afirmou que desde o início os parentes buscam apenas que os fatos sejam apurados dentro dos parâmetros legais.
“A família de João Paulo não busca vingança, mas justiça. Justiça que se traduz no esclarecimento completo das circunstâncias da morte do jovem, na responsabilização de quem tiver agido à margem da lei e na reafirmação de que nenhum agente público está acima do ordenamento jurídico”, declarou.
O nome da operação Simulacrum faz referência à conclusão apresentada na denúncia do Ministério Público sobre a suposta simulação de prestação de socorro e alteração da cena do crime. O processo tramita na 1ª Vara do Tribunal do Júri da Capital.
