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Dia a Dia

Brasileiros criam método para produção de látex que não causa alergia

1 de julho de 2018 Dia a Dia
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Químico Floriano Pastore Júnior disse que o látex pode causar até morte de pessoas alérgicas (Foto: TV Brasil/Reprodução)

Da Agência Brasil

BRASÍLIA – Pesquisadores do Instituto de Química da UnB (Universidade de Brasília) desenvolveram um método para produção de materiais hipoalergênicos de látex de borracha natural, que poderão ser utilizado na fabricação de camisinhas, luvas cirúrgicas, cateteres e outros itens. Além de não causar alergias, os produtos podem mais resistentes. O processo já foi patenteado.

O que os pesquisadores desenvolveram foi uma forma de inativar proteínas alergênicas no látex de borracha natural. “O látex é um meio biológico muito rico, temos lá mais de 200 tipos de proteínas diferentes nele. No entanto, 13 delas são alergênicas e podem fazer mal à saúde. Quando se trata de usar o cateter em posição de contato muito próximo da mucosa, se a pessoa for alérgica pode ter um choque anafilático e vir a óbito”, explicou o professor Floriano Pastore Júnior, que lidera a pesquisa no Instituto de Química da instituição.

Em experiências anteriores, as proteínas eram retiradas do látex para evitar a alergia. “Em vez disso, partimos para uma abordagem diferente, porque vimos que retirar as proteínas tirava a resistência dos filmes feitos com látex. Então, a forma encontrada para evitar esse efeito foi não retirar as proteínas e, sim, bloquear a ação delas, o que foi feito por meio da utilização de tanino. Feito a partir do chá da casca da acácia-negra, o tanino é usado no curtimento de pele animal, para transformá-la em couro. Nesse processo, o tanino passa a funcionar como escudo de proteção das proteínas, evitando ataques de bactéria, dando estabilidade e longevidade ao couro.

“Usamos a reação química do tanino com a proteína do couro para proteger as proteínas do látex. Essas proteínas permanecem com uma capa de tanino vegetal e não desenvolvem mais reações  alérgicas”, disse o professor.

Testes feitos em Londres comprovaram que a resistência do látex não se perdeu no novo processo. Novas comprovações estão sendo realizadas em laboratórios do Brasil e de outros países, como nos Estados Unidos. Embora ainda não haja previsão de prazo para a adoção do método e seu uso pelo conjunto da sociedade, há expectativa de que isso ocorra. Assim, os materiais que venham a ser produzidos por meio do processo poderão ter maior resistência, o que é particularmente importante no caso das camisinhas, por exemplo, pois ampliará sua eficácia.

Em 1997, a Sociedade Americana de Anestesiologia (ASA) estimou que 8% da população em geral têm alergia ao látex. O número é bem maior, quando observados grupos que convivem cotidianamente com o material. Nesses grupos, estão incluídos pacientes com Spina bífida, que requerem múltiplas cirurgias e frequente cateterização vesical e os profissionais de saúde, como médicos, dentistas e enfermeiros. Neste caso, o percentual de incidência do problema chega a 20%.

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Assuntos Amazonas, Brasília, eua, Londres, UnB
Redação 1 de julho de 2018
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