
SÃO PAULO – Os brasileiros ficaram mais propensos às compras em fevereiro, segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) alcançou 77,1 pontos, o que corresponde a um aumento de 1,2% em relação a janeiro. Na prática, porém, isso não significa aumento imediato nas vendas. O consumo segue em baixa porque o consumidor tem evitado fazer novas dívidas devido ao período de crise.
Mesmo com esse aumento no índice de intenção de consumo, o resultado permanece abaixo dos 100 pontos, o que indica uma percepção de insatisfação com as condições atuais da economia. O indicador está 2,1% abaixo do patamar registrado em fevereiro de 2016.
Segundo a CNC, o custo elevado do crédito, o alto desemprego e a queda da renda ainda impedem resultados melhores da pesquisa. São fatores que estimulam um comportamento de cautela do consumidor. Mas os cortes recentes na taxa básica de juros aliados ao processo de redução da inflação devem promover um maior incentivo à recuperação do comércio e à confiança do consumidor.
“É válido ressaltar que o ritmo de melhora das vendas e da atividade do setor ainda vai depender da velocidade de redução do endividamento das famílias, das empresas e da retomada do mercado de trabalho”, ponderou Juliana Serapio, assessora econômica da CNC, em nota oficial.
Em fevereiro, os dois componentes ligados ao emprego registraram pontuação acima da zona da indiferença. A avaliação sobre o Emprego Atual atingiu 106,4 pontos, alta de 0,7% em relação a janeiro e elevação de 0,1% na comparação com fevereiro de 2016. Já a Perspectiva Profissional atingiu 101,8 pontos, aumento de 1 9% ante janeiro, mas 1,4% menor do que em fevereiro do ano passado.
O porcentual de famílias que se sentem mais seguras em relação ao emprego atual subiu para 31,5% em fevereiro, ante 31,3% em janeiro.
Por outro lado, o subitem Nível de Consumo Atual teve a menor pontuação mensal, 52,3 pontos, queda de 0,4% ante janeiro e recuo de 6,1% na comparação com o mesmo período do ano anterior. A maioria das famílias (60,6%) declarou estar com o nível de consumo menor do que no ano passado.
(Estadão Conteúdo/ATUAL)
