
Informação e opinião
Por Valmir Lima, do ATUAL
Os preços dos combustíveis começam a disparar no Brasil. A desculpa são os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Nesta segunda-feira (9), o preço do barril de petróleo chegou próximo de US$ 120 (cento e vinte dólares). No dia 27 de fevereiro, um dia antes do início dos bombardeios no Oriente Médio, o preço do barril girava em torno de US$ 73 (setenta e três dólares).
Em Manaus, o mau-caratismo chega sempre à frente e, antes que os preços fossem elevados, os donos de postos de combustíveis já reajustaram para cima. A gasolina comum passou de R$ 6,99 (preço mantido durante todos os meses em que o valor na refinaria oscilava para baixo ou para cima), para R$ 7,29. Um aumento de R$ 0,30 ou 4,3%.
Na refinaria em Manaus, houve dois reajustes neste ano, já após o início dos ataques no Oriente Médio. Depois de segurar o preço da gasolina às distribuidoras em R$ 2,89 desde 20 de dezembro (depois de sucessivas baixas), a Ream (Refinaria da Amazônia) elevou no dia 3 deste mês para R$ 3,24 o preço do litro da gasolina. E reajustou novamente para R$ 3,46 no dia 6, sexta-feira.
Na noite de sexta, alguns postos de combustíveis já estavam com o preço reajustado. No sábado, diversos postos elevaram os preços, antes de comprarem o produto mais caro.
Na AM-070 (estrada que liga Iranduba a Manacapuru), o preço da gasolina até domingo em todos os postos ao longo da rodovia era R$ 6,79 ou seja, R$ 0,50 mais barato que em Manaus.
Mas o mau-caratismo não é apenas dos que reajustam preços antes de comprar o produto mais caro. Brasil afora é a grande mídia quem pressiona a Petrobras por reajuste, fazendo coro com a Abicom (Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis). O jornal O Globo estampa a seguinte manchete: “Defasagem do preço do diesel chega a 85% e da gasolina a 49%, com disparada do petróleo”.
A matéria de O Globo é uma forma de pressão do jornal para que a Petrobras reajuste seus preços. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, diz que a estatal evita “o repasse da volatilidade de preços do mercado internacional ao consumidor brasileiro.” Mas a pressão dos importadores é grande.
O fato é que a corda arrebenta para o lado mais fraco da cadeia de consumo, ou seja, o consumidor. Nessa cadeia, os efeitos da guerra nunca são devastadores, exceto para quem está na ponta. A refinaria compra o barril de petróleo mais caro e repassa ao preço dos combustíveis. As distribuidoras compram o combustível mais caro e repassam o reajuste aos postos. Esses, por sua vez, repassam os preços ao consumidor, que não tem a quem repassar.
Se o consumidor de combustível é pessoa jurídica, também repassa os preços dos combustíveis aos serviços ou produtos que vendem.
Só o trabalhador não tem a quem repassar. Nenhum patrão vai se solidarizar e elevar o salário de um funcionário porque a guerra do outro lado do mundo tirou mais uma fatia do seu salário.
Por isso, o mau-caratismo deveria ser fortemente repelido. Elevar preços sem motivação deveria ser crime contra a ordem tributária. No caso dos combustíveis, os donos de refinarias e postos de combusteis deveriam ser severamente punidos quando elevasse o preço antes de comprar o produto reajustado.

