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MANAUS — Em entrevista ao Grupo dos Seis, na manhã desta segunda-feira (9), no Manaós Estúdio, em Manaus, o senador Eduardo Braga (MDB) afirmou que o Amazonas reúne condições estratégicas para se tornar um polo da Indústria 5.0, especialmente com a instalação de data centers e estruturas voltadas ao desenvolvimento de inteligência artificial.
Segundo Braga, a combinação de água em abundância, incentivos fiscais garantidos pela Zona Franca de Manaus e a existência de terras raras coloca o Estado em posição privilegiada na disputa por investimentos de tecnologia de ponta. O principal gargalo, porém, ainda é a segurança energética.
“O Amazonas tem água em abundância, mas precisamos avançar na segurança do fornecimento de energia. Água e energia são exatamente o que data centers e a indústria de IA consomem”, afirmou.
O senador responsabilizou a Amazonas Energia pelos problemas recorrentes no abastecimento em Manaus, mas ressaltou que a fragilidade do sistema é estrutural. Atualmente, a capital depende de uma única linha de transmissão que sai de Tucuruí, passa por Belo Monte e percorre mais de 1,5 mil quilômetros pela floresta, o que torna o sistema vulnerável a oscilações e desligamentos.
Braga defendeu a criação de redundância no sistema elétrico, citando três frentes. A primeira é o reforço com usinas térmicas na ponta, como a térmica a gás Mauá 3, em Manaus, e a térmica do Azulão, em Silves, cuja primeira etapa deve entrar em operação nos próximos meses.
A segunda é a interligação de Manaus às hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia, por meio de uma linha de transmissão ao longo da BR-319, o que permitiria maior estabilidade ao sistema. A terceira alternativa envolve a retomada do fornecimento de energia da hidrelétrica de Guri, na Venezuela, aproveitando o linhão já existente até Boa Vista.
“Hoje estamos em um sistema praticamente N0. Podemos passar para N-2 ou até N-3, com abundância e segurança energética”, disse.
Com esse cenário, Braga avaliou que Manaus poderia competir com outros polos nacionais que já se movimentam para atrair a Indústria 5.0, como o Ceará e São Paulo. Para ele, a consolidação desse modelo garantiria protagonismo econômico ao Amazonas nas próximas décadas.
O senador também destacou a presença de terras raras no Estado, especialmente em Presidente Figueiredo, usadas na fabricação de componentes tecnológicos avançados. Segundo Braga, o tema já desperta interesse internacional e exige estratégia para que o Brasil não perca o controle sobre esses recursos.
“Estamos falando da indústria do próximo século. Se fizermos o que precisa ser feito agora, estaremos garantindo desenvolvimento e protagonismo econômico para as futuras gerações do Amazonas”, concluiu.
