

Da Redação
MANAUS – O presidente Jair Bolsonaro (PL) mentiu sobre a crise de oxigênio em Manaus, afirmam parlamentares, ao criticar o mandatário após entrevista no Jornal Nacional nesta segunda-feira (22). Bolsonaro foi indagado sobre a atuação do governo federal na crise da pandemia de Covid-19 na capital amazonense em janeiro de 2021, quando os hospitais da capital entraram em colapso e pacientes morreram por falta de oxigênio.
Em entrevista ao Jornal Nacional na noite desta segunda-feira (22), Bolsonaro negou erros de logística e afirmou que em menos de 48 horas chegaram cilindros de oxigênio na cidade.
“Foi uma coisa atípica, anormal, que aconteceu de uma hora para outra. Fizemos a nossa parte em Manaus. Não faltou da nossa parte recursos bilionários para governadores e prefeitos enfrentarem a Covid construírem hospitais de campanha”, acrescentou.
O deputado federal José Ricardo (PT) chamou Bolsonaro de mentiroso e afirmou que precisou, junto com a bancada do PT, recorrer à embaixada da Venezuela para trazer oxigênio a Manaus. “Pazuello [Eduardo, ministro da Saúde na época] havia sido informado sobre os baixos níveis de O2 uma semana antes do colapso de janeiro de 2021 em Manaus”, declarou.
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Inquérito da Polícia Federal que investigou Eduardo Pazuello reuniu evidências de que ele e o comando do Exército na Amazônia foram formalmente avisados sobre a “iminência de esgotamento” de oxigênio em Manaus em janeiro, cinco dias antes do colapso, com pedidos de socorro não atendidos a contento.
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Guilherme Boulos (Psol), candidato a deputado federal em São Paulo, ironizou a fala de Bolsonaro de que não houve erro em Manaus. “O genocida realmente acha que os brasileiros mereciam morrer”, afirmou.
Questionado sobre imitar pessoas com falta de ar, sintoma da Covid-19, Bolsonaro pediu que fosse exibido vídeo que comprovasse isso. No Twitter, Boulos publicou um vídeo em que o presidente aparece no gabinete imitando pacientes com falta de ar.
Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder da oposição no Senado, publicou um vídeo no Twitter com frases ditas por Bolsonaro na pandemia, como “Eu não sou coveiro”, “Uma gripezinha ou resfriadinho”, “‘Vai comprar vacina’. Só se for na casa da tua mãe”, entre outras.
“Não adianta mentir. Quem sofreu a dor da pandemia foi o povo! O presidente debochou!”, escreveu Randolfe.
Omar Aziz (PSD), candidato à reeleição para o Senado, declarou que ao contrário do que o presidente disse na entrevista, a CPI da Pandemia que ele presidiu salvou vidas, principalmente por obrigar o governo a comprar vacinas. “Antes da CPI, o governo estava claramente apostando em imunidade de rebanho, induzindo a população ao risco de morte”, disse Omar.
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Questionado sobre o desestímulo ao uso da vacina e incentuvo ao chamado tratamento precoce, Bolsonaro afirmou ter comprado mais de 500 milhões de doses de imunizantes contra a Covid e mais rápido que outros países. “Só não se vacinou quem não quis”, disse.
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Na pandemia, o presidente ignorou e-mails em série da Pfizer. Depois, pediu a antecipação da entrega de doses da vacina da farmacêutica. Na entrevista ao Jornal Nacional, Bolsonaro alegou que no contrato a Pfizer não se responsabilizava por efeitos colaterais. “Outra coisa, a Pfizer não apresentou quais seriam os possíveis efeitos colaterais”, argumentou.
