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Política

Bolsonaro fala em não cooptar ninguém por impeachment de ministros do STF

17 de agosto de 2021 Política
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Presidente Jair Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro diz que não vai cooptar senadores (Foto: Marcos Corrêa/PR)
Por Marianna Holanda, da Folhapress

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira (17) que não vai cooptar senadores para apoiar o pedido de impeachment dos ministros do STF Luís Roberto Barroso e Alexandre de Morares que pretende apresentar ao Senado nesta semana.

Aliados do presidente vinham tentando dissuadi-lo de pedir o afastamento dos ministros, por entender que não há chances de prosperar e que isso pode piorar ainda mais a crise entre os Poderes.

A declaração de Bolsonaro, em entrevista à Rádio Capital Notícia Cuiabá, sinaliza uma trégua ao Senado, de que não vai pressioná-los para tentar encampar a ideia.

“Está com o senado agora. Independência. Não vou agora tentar cooptar senadores, de uma forma ou de outra, oferecendo alguma coisa pra eles, etc, para eles votarem o impeachment deles (ministros do STF)”.

“Não vou fazer como o ministro Barroso fez, do TSE, que foi para dentro do Parlamento, reunir com lideranças partidárias e após a reunião, no dia seguinte, a maioria das lideranças resolveu trocar os integrantes da comissão por parlamentares que votaram contrário à PEC do voto impresso”, continuou.

A Proposta de Emenda à Constituição do voto impresso foi derrotada na comissão especial da Câmara e depois, numa manobra do presidente da Câmara e aliado de Bolsonaro, Arthur Lira (PP-AL), foi levada ao plenário. Lá, também foi derrotada – obteve 229 votos favoráveis, quando eram necessários 308 para sua aprovação.

Apesar do aceno aos parlamentares, Bolsonaro manteve nesta terça-feira o tom de crítica aos ministros do Supremo. Disse que Alexandre de Moraes, do STF, estaria atuando fora da Constituição. Incluiu ainda no rol de alvos do Judiciário o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Luís Felipe Salomão.

Em decisão na segunda-feira (16), atendendo a um pedido da PF, Salomão determinou às empresas que administram redes sociais que suspendam os repasses de dinheiro a páginas bolsonaristas investigadas por disseminar fake news.

“Ele (Moraes) está fazendo barbaridade, agora juntamente com o ministro do Tribunal Superior Eleitoral, o sr Salomão, que resolveu, numa canetada, desmonetizar certas páginas de pessoas que têm criticado a falta de mais transparência por ocasião do voto”, afirmou Bolsonaro.

A fala sobre “barbaridade” de Moraes diz respeito ao fato de o ministro ter incluído o presidente como investigado no inquérito de fake news. Na entrevista dessa manhã, Bolsonaro questionou se ele faria diligência, busca e apreensão na sua casa: “Vai chegar nesse ponto?”.

Bolsonaro foi incluído no inquérito pelo ministro no último dia 4, por ataque às urnas eletrônicas. A decisão ocorreu após o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, ter enviado notícia-crime ao STF contra o mandatário por conta de mentiras ditas pelo presidente sobre o sistema de votação eletrônico em live.

O presidente disse na entrevista desta manhã, que durou mais de 40 minutos, que tem de agir “dentro das quatro linhas (da Constituição), apesar de alguns, como o senhor Alexandre de Morares, como o senhor Salomão do TSE, estão fora das quatro linhas”.

Bolsonaro voltou a falar em ruptura, disse que ninguém quer isso. Uma ruptura, afirmou, traria problemas internos e externos, como barreiras comerciais, criando “caos” no país.

Mas concluiu: “Agora, onde é o limite disso? Eu sou leal ao povo brasileiro. O povo que tem que nos dar o norte do que devemos fazer”, disse, citando as manifestações de apoiadores marcadas para o dia 7 de setembro.

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Assuntos Bolsonaro, Impeachment, ministros do STF, STF
Murilo Rodrigues 17 de agosto de 2021
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