
Por Amanda Pupo e Fernanda Trisotto, do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (7) que o governo Bolsonaro “estimulou o contrabando de mercadorias” porque, em sua avaliação, não houve uma ação de combate à essa atividade durante a gestão passada. Para Haddad, a união do governo Lula e dos governos estaduais para estabelecer uma tributação sobre produtos que chegam do exterior melhorou a situação da indústria e do varejo brasileiro.
“Porque essa coisa do contrabando, vocês não têm ideia do que estava acontecendo … Agora, houve uma união dos governadores, todos os governadores, do Sudeste, do Nordeste, do Sul, todos se uniram ao governo federal para combater o contrabando. E passaram a cobrar dos contrabandistas, coisa que não era feita pelo governo anterior”, disse Haddad, em entrevista à rádio Cidade, de Caruaru (PE), ao ser questionado sobre políticas de incentivo à cadeia têxtil de Pernambuco.
O ministro destacou ainda os números da indústria no ano passado, que registrou a maior taxa de crescimento dos últimos dez anos, e voltou a falar dos efeitos da reforma tributária aprovada recentemente, que, em sua avaliação, irá ajudar no desenvolvimento do setor industrial, inclusive nas exportações.
Combustíveis
Fernando Haddad repetiu suas críticas ao governo Bolsonaro ao ser questionado sobre o preço dos combustíveis, dessa vez citando a privatização de refinarias feita durante a gestão passada. “Quando você privatiza uma refinaria, ela vai gerar lucro para quem comprou … Você lembra que os postos de gasolina da BR eram da Petrobras, hoje não são mais da Petrobras, o Bolsonaro vendeu. Então, a gente tem que ter clareza de que você não conserta um país que foi destruído em dois anos”, afirmou.
Haddad também argumentou que os preços do diesel e da gasolina acabaram influenciados pela alta do dólar, atribuída pelo ministro à eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. “E você sabe que a gente importa gasolina e diesel, então isso tem reflexo no preço. Agora, de novo, compara com o preço de dois anos atrás, o preço hoje da gasolina e do diesel no posto está mais baixo do que de dois anos atrás”, respondeu.
Questionado sobre a insatisfação da população em torno do custo de vida e da urgência para que as ações do governo sejam sentidas, Haddad voltou a criticar os números da gestão Bolsonaro.
“Em quanto estava a taxa de desemprego dois anos atrás? Quanto estava a taxa de inflação dois anos atrás? Quanto estava o salário mínimo dois anos atrás? Eu não estou pedindo para lembrar de coisas de dez, vinte anos atrás. Estou pedindo para lembrar coisas de dois anos atrás. Obviamente que eu estou aqui reconhecendo, e o Partido dos Trabalhadores é o primeiro a reconhecer, que nós temos muito a fazer, muito a recuperar do que foi destruído”, disse Haddad, defendendo que não estava fazendo “propaganda de números aleatórios” sobre os resultados no governo Lula 3.
E completou: “É a menor taxa de desemprego, é a maior geração de empregos em dois anos, é o maior crescimento em dois anos dos últimos dez anos. Agora, tem muito para fazer, obviamente”, disse. “E não vai faltar energia do presidente Lula para nos exigir, nós que somos colaboradores dele, a entregar mais e chegar o ano que vem com um País muito melhor do que ele recebeu, que é o compromisso dele”.
