
Por Ana Carolina Barbosa, da Redação
MANAUS – Dados de entidades e órgãos ligados à construção civil em Manaus apontam um cenário positivo no setor, em 2015, mesmo com uma das maiores crises econômicas já registradas pelo País ainda em curso e impactando diretamente o Amazonas. Um deles, que reforça a afirmação, vem do Implurb (Instituto Municipal de Planejamento Urbano), que informou ao AMAZONAS ATUAL ter concedido, em 2014, 1.331 autorizações para novos empreendimentos na cidade e, este ano, até o mês de setembro, 1.134. Se comparado à média dos primeiros nove meses do ano passado (998 licenças), o aumento nas obras, em 2015, é de 13,3%.
O assessor jurídico do Implurb, Márcio Alexandre, explica que o maior impacto da crise ocorreu entre 2013 e 2014. Há dois anos, o número de autorizações para obras era de 1.539. Na comparação com 2014, a redução foi de 13,5%. “Este ano, ainda não sentimos diretamente o impacto da crise, porque muitos empreendimentos, iniciados em 2015, já estavam programados e as obras, projetadas. Acreditamos que iremos sentir uma redução de fato, entre 2016 e 2017”, comentou. Ele também aposta que o setor imobiliário sofrerá perdas com a redução do valor dos imóveis.
“O que posso afirmar com certeza, com base nas conversas que mantivemos com os empreendedores, é que as grandes obras, como condomínios, deixarão de ser lançadas nos próximos dois anos. Há muita oferta de imóveis neste momento de crise e ouvimos notícias de que muitas pessoas estão deixando de pagar seus financiamentos também”, salientou.
Na contramão dessa expectativa, estão os trabalhadores da área. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil no Amazonas, Cícero Custódio, a categoria registrou um crescimento de 6% a 8% nas contratações para o setor, até setembro de 2015. O número de demissões também caiu, passando de seis mil, em 2014, para cerca de duas mil, este ano.
Ele acredita que em 2016, o setor apresentará crescimento, mas não arriscou um percentual. De acordo com o sindicalista, obras públicas e privadas estão programadas para 2016, como é o caso da Cidade Universitária, em Iranduba (a 20 quilômetros de Manaus) e das 20 torres programadas por uma grande construtora da cidade, e que parte dos apartamentos já estão sendo pagos, com prazo de entrega para 2022. “Cada torre demora, em média, dois anos e meio para ser construída. Até agora, oito estão em andamento. Além disso, estão programadas também obras como as do Minha Casa, Minha Vida (do Governo Federal) e uma construção no Mauazinho, da Eletrobras (Amazonas Energia), que demandará dois mil trabalhadores”, explicou Custódio.
Outro fator que pode contribuir para o crescimento, é a entrada de novas construtoras no mercado local. “Hoje, temos sete novas empresas que vão construir empreendimentos na cidade”, disse. Na visão do sindicalista, as grandes empreiteiras deixaram de investir, em 2014, aguardando o enfraquecimento da crise, o que não ocorreu. Se deixarem de agir neste momento, correm o risco de não concluírem no prazo os empreendimentos programados, o que poderia gerar multas contratuais às empresas.
