
Informação e Opinião
Por Valmir Lima, do ATUAL
MANAUS – Átila Lins, aos 76, tentava o seu 10° mandato de deputado federal, mas neste domingo o PSD não conseguiu os votos necessários para elegê-lo. Apesar de receber 118.182 votos, Átila ficou como primeiro suplente de Sidney Leite (PSD), que conseguiu se reeleger, com 138.498 votos. Com o resultado, Átila Lins encerra uma trajetória de 35 anos como representante do Amazonas em Brasília.
Outro velho conhecido do eleitorado amazonense que não conseguiu se reeleger é o deputado federal Silas Câmara (Republicanos), que completará 64 anos em dezembro. Ele conseguiu 93.592 votos, mas o partido só recebeu votos suficientes para eleger um deputado federal. E quem faturou a vaga foi o jovem Amom Mandel, que se reelegeu com 119.480 votos. Silas está na Câmara dos Deputados desde 1999. Foi eleito pela primeira vez em 1998 e reeleito seis vezes, ou seja, 28 anos em Brasília.
Outros políticos com repetidos mandatos também foram rejeitados pelo eleitorado neste ano, como Sinésio Campos (PT), que acumulava sete mandatos consecutivos. Em 2023, Sinésio tornou-se o deputado estadual mais antigo em atividade na Assembleia Legislativa do Amazonas.
Por se tratar de uma representação popular, não deveria um político ter o mandato renovado eternamente, como ocorre no Brasil. Assim como nos cargos majoritários, os eleitos para os cargos proporcionais deveriam ter um limite de reeleição. O ideal deveriam ser dois mandatos – uma eleição e uma reeleição – para que outras pessoas pudessem também experimentar a representação política.
O problema é que as leis e as mudanças nas leis que poderiam caracterizar uma reforma política são feitas pelos próprios parlamentares (deputados, senadores e vereadores). Dificilmente aprovariam uma lei que limitasse a reeleição.
E por que seria difícil? Porque a política não é encarada como um serviço prestado à população, como repetem os políticos em seus discursos. A grande maioria que ingressa na política está em busca de benesses, buscam o enriquecimento fácil, e atuam para se perpetuar no poder.
A cada ano os parlamentos brasileiros aumentam os privilégios a senadores, deputados e vereadores. Criam mecanismos, como as emendas parlamentares e as famigeradas Ceaps (verba para custear o mandato), que ajudam tanto ao enriquecimento quanto à perpetuação dos mandatos.
Átila e Silas se mantiveram por longo período na Câmara dos Deputados por uma estratégia que só é sustentável para quem dispõe de mandato eletivo: a permanência constante nos municípios do interior do Amazonas, com atividades que se assemelham às de campanha eleitoral, mas realizadas durante todo o mandato. Essas ações são levadas aos redutos eleitorais, principalmente no interior do Amazonas, de onde vêm a maioria dos votos dos dois.
Essa bolha só é furada quando há um candidato de muito destaque, como foi o caso de Sargento Salazar (PL), neste ano, que conseguiu votação expressiva e ajudou a eleger seu companheiro de partido Alfredo Nascimento, que recebeu míseros 59.271 votos, pouco mais de metade dos votos recebidos por Átila.
É um tema que merece reflexão. A rotatividade entre os parlamentares, a renovação das bancadas de tempos em tempos é salutar para a democracia e evita que os políticos criem raízes e se comportem como plantas, surdas às necessidades da maioria da população.

