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Dia a Dia

Associação reivindica direito de vender ingressos do Festival de Parintins

3 de janeiro de 2025 Dia a Dia
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Parintins 2024
Empresas de turismo querem comercializar ingressos para o Festival de Parintins (Foto: AM ATUAL)
Por Felipe Campinas, do ATUAL

MANAUS – A Abav (Associação Brasileira de Agência de Viagens) reivindicou a quebra do monopólio da comercialização de ingressos para o Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas, nas próximas edições do evento.

Desde 2017, os ingressos do festival são vendidos pela Amazon Best, empresa que pertence às famílias Brelaz e Garcia, do ex-prefeito de Parintins Bi Garcia. A empresa tem contratos com os bois Caprichoso e Garantido para comercializar os ingressos.

“Sabemos que a venda dos ingressos de 2025 está consumada, mas estamos aqui clamando para o debate e reivindicando que o direito e a segurança de comercializar o Festival Folclórico de Parintins seja assegurado para nossos associados nos próximos anos”, afirmou o presidente da associação no Amazonas, Jaime Mendonça Júnior.

A reivindicação das empresas de turismo pelo “direito e segurança” de comercializar os bilhetes ocorreu após a Amazon Best se recusar a liberar ingressos às empresas de turismo neste ano.

De acordo com o presidente da associação no Amazonas, Jaime Mendonça Júnior, em reunião realizada no dia 20 de dezembro, o presidente da empresa, Valdo Garcia, comunicou que não iria fazer qualquer tipo de pré-venda às companhias. “Isso ocorreu durante visita minha e de alguns associados à sede da empresa na manhã de 20 de dezembro de 2024”, afirmou Jaime.

“O festival cresceu enormemente e o bumbódromo se tornou pequeno para o evento. Porém, achamos injusto sermos desprezados novamente não sabemos por qual razão, e retirados da cadeia de distribuição de ingressos, que são incluídos nos pacotes de viagens formatados especialmente para o Festival Folclórico de Parintins”, afirmou Jaime.

O evento, que exalta o folclore brasileiro, ganhou maior visibilidade em 2024, principalmente com a participação da cunhã-poranga do Boi Garantido, Isabelle Nogueira, no BBB (Big Brother Brasil), da TV Globo. O Governo do Amazonas informou que o evento registrou público recorde.

O presidente da Abav no Amazonas afirmou que há alguns anos as empresas de turismo tinham acesso a ingressos para montar pacotes para o festival. Neste ano, no entanto, segundo ele, as companhias foram “excluídas”. “Nós agentes de viagens e nossos clientes fomos excluídos desta esplendorosa festa”, disse Jaime.

Ainda conforme Jaime, nos anos em que os ingressos eram vendidos por outras empresas, os agentes de viagens eram consultados e vistos como parceiros para ajudar na venda de ingressos. A parceria ocorreu em 2024, ocasião em que as empresas tiveram acesso a um lote com 210 ingressos. Neste ano, no entanto, as companhias não acessaram nenhum ingresso.

A exclusividade da Amazon Best na venda dos bilhetes é contestada não apenas por empresas de turismo, mas também pelo Ministério Público.

Em junho passado, o MPC (Ministério Público de Contas) apresentou ao TCE-AM (Tribunal de Contas do Amazonas) uma representação alegando que a empresa detém “quase em regime de monopólio” os serviços do festival, desde de “ingressos a passagens aéreas, passando por hospedagens, serviços de buffet”.

Em agosto de 2024, o conselheiro do TCE-AM (Tribunal de Contas do Amazonas) Luís Fabian Barbosa determinou que a Secretaria de Cultura se abstivesse de repassar recursos para o festival e de liberar o bumbódromo até que o tribunal analisasse sobre o caso.

O conselheiro também determinou que a secretaria adotasse medidas para garantir o “tratamento isonômico entre aqueles que tenham interesse de explorar economicamente o 58º Festival de Parintins”.

No dia 17 de dezembro, o Governo do Amazonas publicou edital de dispensa de licitação eletrônica nº 007/2024 para “contratação de empresa especializada em bilheteria digital e presencial, para a gestão de vendas de ingressos no Bumbódromo de Parintins”.

A medida foi rechaçada pelos presidentes dos bois Garantido e Caprichoso, que alegaram ser os únicos com poder de decisão sobre a comercialização dos ingressos.

“Não aceitaremos que decisões unilaterais e alheias às nossas realidades coloquem em risco a grandeza e a autenticidade do festival”, disseram as associações, em nota conjunta.

A decisão do conselheiro foi suspensa pelo desembargador Flávio Pascarelli no dia 18 de dezembro, em mandado de segurança ajuizado pela Amazon Best.

Após a decisão, a Amazon Best decidiu antecipar a venda dos bilhetes. No dia 19 de dezembro, a empresa anunciou que a venda dos ingressos ocorreria dois dias depois. Em 2024, os ingressos foram vendidos em fevereiro.

Neste ano, os bilhetes para o evento deste ano, com preços entre R$ 1,4 mil e R$ 2 mil, foram esgotados em poucos minutos. Os ingressos foram vendidos no dia seguinte à reunião.

Segundo Jaime, horas após o esgotamento dos bilhetes, cambistas ofereceram os ingressos por valor três vezes maior. “Nos dói ver que, mal a venda online terminou em 21 de dezembro de 2024, o mercado paralelo dos cambistas se estabeleceu, oferecendo ingressos por mais do que o triplo do valor anunciado, sem qualquer pudor”, disse Jaime.

Leia a carta aberta na íntegra clicando aqui.

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Assuntos Abav, Amazonas, Festival de Parintins, ingressos, manchete, monopólio, Parintins, turismo
Felipe Campinas 3 de janeiro de 2025
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