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Dia a Dia

Arqueólogos encontram cemitério indígena com mais de 500 anos no Amazonas

7 de setembro de 2018 Dia a Dia
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Urnas funerárias estavam enterradas a uma profundidade de 40 centímetros da superfície (Foto: Instituto Mamirauá/Divulgação)

Do Estadão Conteúdo

MANAUS – Uma espécie de cemitério indígena, com nove urnas funerárias enterradas há cerca de 500 anos, foi encontrado por arqueólogos em expedição na comunidade Tauary, Amazonas. As urnas estavam enterradas a uma profundidade de 40 centímetros da superfície, dentro de uma área de quatro metros quadrados, nas imediações da escola comunitária.

No Brasil, é a primeira vez que cientistas localizam e escavam urnas funerárias da chamada Tradição Polícroma da Amazônia, diretamente do solo. A expedição foi coordenada por pesquisadores do Instituto Mamirauá.

“A Tradição Policroma da Amazônia é um estilo que tem larga abrangência nas terras baixas da América do Sul, presente em um eixo oeste-leste desde o sopé (das Cordilheiras) dos Andes até a boca do rio Amazonas e também é vista nos afluentes do rio Amazonas/Solimões”, afirma a pesquisadora Márjorie Lima, do Laboratório de Arqueologia do Instituto Mamirauá.

A carência de vestígios, como a terra de índio (solo muito fértil e característico de antigas ocupações humanas na Amazônia), e fragmentos de cerâmica indicam que aquela seria uma área específica do sítio arqueológico, possivelmente reservada ao enterro de corpos, como um cemitério da antiga sociedade que ali vivia.

“As urnas funerárias fazem parte das práticas mortuárias de muitos grupos indígenas. Elas eram mais comuns no passado, e ainda há relatos de alguns sepultamentos em épocas recentes sendo feitos em urnas, mas também em cestarias ou redes. Elas são muito variadas e estão intimamente ligadas às crenças e religiões praticadas, parecido com o que é praticado nos cemitérios das cidades”, ressalta Anne Rapp Py-Daniel, arqueóloga e especialista no estudo de urnas arqueológicas na Amazônia, que também participou das escavações.

A escavação também revelou sinais de uma sociedade ainda mais antiga que aquela que produziu as urnas funerárias. São fragmentos de cerâmica que pertencem a um grupo que habitou a mesma região, mas em um tempo diferente. “A urnas do Tauary são próximas ao ano 1500 depois de Cristo. Mas essa outra cerâmica encontrada aparenta ser muito mais antiga, com uma diferença de 40 centímetros de profundidade em relação ao período das urnas, o que indica uma passagem grande de tempo”, aponta o arqueólogo Eduardo Kazuo.

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Assuntos Amazonas, cemitério indígena, Instituto Mamirauá
Redação 7 de setembro de 2018
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