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Dia a Dia

Após 22 anos servindo família sem salário, mulher é resgatada em Manaus

7 de junho de 2025 Dia a Dia
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O local onde a mulher dormia (Foto: Divulgação/MTE)
Do ATUAL

MANAUS — Uma mulher de 34 anos foi resgatada de trabalho doméstico análogo à escravidão no bairro Ponta Negra, zona oeste de Manaus. Ela trabalhava desde os 12 anos de idade para uma mesma família sem carteira assinada, sem remuneração adequada e submetida a jornadas exaustivas, em condições degradantes, informou o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).

A ação, corrida na quinta-feira (5), teve a participação do MPT (Ministério Público do Trabalho), PF (Polícia Federal) e Defensoria Pública da União. As entidades apuravam denúncia desde o dia 27 de maio.

Inicialmente, a vítima disse que começou a trabalhar na casa com a promessa de que cuidaria de uma idosa, seria bem tratada e teria oportunidade de estudar e obter ascensão social.

A vítima prestava serviços há 22 anos para diferentes integrantes da mesma família. Em troca, recebia moradia, comida e pequenas quantias de dinheiro sob o argumento de que “fazia parte da família”. Além das tarefas domésticas em uma casa grande, ela também atuava na produção de doces que eram comercializados pelo empregador em diversos pontos da cidade.

Em depoimento aos auditores fiscais do Trabalho, a mulher relatou que nunca frequentou a escola, vivia em um quarto sem guarda-roupa, sem ar-condicionado e sem condições mínimas de higiene. Disse ainda que trabalhou descalça e, por vezes, não tinha nem xampu à disposição.

Segundo o MTE, após o resgate a trabalhadora recebeu atendimento psicossocial da Sejusc (Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania) e retornou ao convívio da família biológica.

Desde a criação dos Grupos Especiais de Fiscalização Móvel, base do sistema de combate à escravidão no país, em maio de 1995, mais de 65 mil trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão no Brasil. Os dados oficiais estão disponíveis no Radar do Trabalho Escravo.

O nome da família que mantinha a mulher em trabalho análogo à escravidão não foi divulgado.

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Assuntos analogo a escravidao, destaque, MTE, Ponta Negra, trabalho análogo à escravidão
Feifiane Ramos 7 de junho de 2025
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