
Do ATUIAL
MANAUS – O deputado federal Amom Mandel (Cidadania-AM), de 24 anos, afirmou que acha que não errou ao apoiar o também deputado federal Alberto Neto (PL-AM) para prefeito de Manaus no segundo turno da eleição de 2024. Ele disse que “ninguém consegue agradar a todos”, sobre a reação de seu eleitorado.
“Uma parte do meu eleitorado ficou insatisfeita com essa decisão. E, infelizmente, as coisas funcionam dessa forma mesmo: ninguém consegue agradar a todos. Eu não posso estar certo o tempo inteiro. As pessoas precisam entender isso também – que eu sou um ser humano, que posso acertar e errar. Mas, pelo menos naquele momento da nossa eleição para prefeito de Manaus, no segundo turno, não acho que tomei a decisão errada ao não apoiar David Almeida”, disse em entrevista ao ATUAL na manhã desta sexta-feira (23).
“Naquele momento, as pessoas tinham uma perspectiva completamente diferente, imposta pela campanha dele [David Almeida], e muitas vezes pelo uso da máquina pública que o prefeito David fez naquela época. Agora, as pessoas estão se deparando com uma realidade completamente diferente daquilo que foi prometido”, prosseguiu.
E acrescentou: “Se, no ano passado, tínhamos ruas sendo asfaltadas próximas à campanha, hoje temos ruas esburacadas, que mostram que o asfalto colocado provavelmente não foi de alta qualidade e que aquele investimento não era permanente”.
Amom Mandel disse que o apoio a Alberto Neto foi mais por ser contra o prefeito David Almeida. “Se antes tínhamos uma prefeitura que prometia transparência em determinados pontos, hoje temos uma prefeitura ainda menos transparente. Apoiar Alberto Neto naquele momento não foi apoiar tudo o que ele representa – e que parte do meu eleitorado rejeita –, mas sim ser contra David Almeida”.
Ideologia
Conforme o deputado, a polarização entre esquerda e direita na eleição não influencia na escolha do eleitorado. “Um prefeito vai além das ideologias. Um prefeito eleito, seja ele de esquerda ou de direita, que se aproximam mais de uma ideologia de esquerda ou centro-esquerda, não terá uma atuação ideológica. Um prefeito é um síndico da cidade: responsável pela infraestrutura, por tapar os buracos, pelos serviços básicos”, argumentou.
“Independentemente de ideologias, dependendo do quadro técnico que compõe a gestão, podemos ter resultados semelhantes tanto para pessoas de esquerda quanto para pessoas de direita. Basta haver responsabilidade”, completou.
Segundo Amom, “ao contrário de outros cargos do Executivo, como o presidente da República, onde se tem muito mais poder para influenciar mudanças na legislação federal, aí sim as visões ideológicas de esquerda e direita influenciam mais”.
As ideologias, afirma o deputado, “foram sequestradas por políticos que não seguem a ideologia verdadeiramente”. “Além disso, a população em geral não tem conhecimento de ciência política ou sociologia para entender, de fato, essa ideologia de esquerda e direita, a ponto de perceber o estelionato eleitoral praticado por esses políticos”.
“Por isso, eu adoto um sentido mais do senso comum da esquerda e da direita para dizer que não é preciso ser Lula ou Bolsonaro, ser de direita ou esquerda, para fazer o certo. Basta, como eu falo, ser Amom, ser Valmir, Maria, José… Basta ter opinião própria, basta ter senso crítico”, afirmou.
