
Do ATUAL
MANAUS – O deputado federal Amom Mandel (Republicanos-AM) acionou o MPF (Ministério Público Federal), o MPAM (Ministério Público do Amazonas) e a SES-AM (Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas) para cobrar explicação sobre a morte de Antonio Caitano Alves Barbosa, de 68 anos. Ele ficou inetrenado durante sete meses no Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz.
De acordo com a família, Antonio Caitano era paciente renal crônico e diabético e morreu por consequência de negligência médica e maus-tratos na unidade de saúde. Ele teve os dois pés amputados e foi transferido várias vezes até falecer no dia 28 de julho.
“Estamos cobrando a responsabilização de todos os envolvidos nesse caso absurdo e inadmissível”, disse Amom, que já havia informado o caso à SES no início de julho.
Entenda o caso
Segundo relatos da filha da vítima, a pedagoga e fonoaudióloga Gabriela Cerdeira, a primeira amputação ocorreu em dezembro de 2025 no Hospital Platão Araújo, após complicações de cicatrizações do pé diabético.
Ao receber alta, a família notou que o outro pé também estava comprometido, além de uma grave escara na região lombar. Ele foi encaminhado para o Delphina Aziz, onde ficou cinco meses internado na esperança de tratar os ferimentos.
“Falaram que o pé não tinha salvação. O médico veio para fazer um exame e disse que não, que o pé não tinha salvação, né? E aí eu questionei o hospital: ‘como ele vai sobreviver a uma segunda amputação?’ Ele estava há já quase cinco meses no hospital. É óbvio que essa circulação ia estar comprometida. Um dos questionamentos nosso como família, foi: ‘Cadê a fisioterapia? O que estão fazendo para esse paciente acamado?’”, disse a filha da vítima.
Após a segunda amputação, a família relata que Antonio não teve acompanhamento nefrológico ou fisioterápico. No fim de junho ele foi encaminhado para a ala de cuidados paliativos, sem a aprovação da família.
“Quando ele chega nesse andar de cuidados paliativos, ele começa a definhar? A gente percebe a mudança. Ele começou a parar de falar, começou a parar de comer. Ele ficava cuspindo os alimentos. Começou a cuspir os alimentos. A gente entende que ele precisaria estar na sonda. Porque muitas vezes, quando ele entrava nesse estado, geralmente era o rim dele que estava comprometido, ou por alguma infecção, ou pelo remédio antibiótico”, relata Gabriela.
Por fim, após sete meses de sofrimento, entre abandono e transferências entre setores, seu Antônio morreu no último dia 28 de julho. A causa da morte não foi devido à doença renal ou à diabetes, mas sim a uma infecção hospitalar, adquirida enquanto estava no setor de cuidados paliativos do Delphina Aziz.
“Não tenho nem palavras de tanta indignação, da falta de preparo. O que eu percebo é falta de preparo, entendeu? Tanto clínico quanto humano por parte de tudo do hospital. Falta um tratamento ao público mais humanizado”, lamenta Gabriela.
