
MANAUS – Na complexa teia das relações humanas, a empatia desempenha um papel fundamental. Especialmente no contexto da liderança, em que a habilidade de compreender e se relacionar com os outros pode moldar não apenas a eficácia, mas também o ambiente de trabalho e o bem-estar dos colaboradores.
Kim Scott, autora do livro “Empatia Assertiva: Como Ser um Líder Incisivo Sem Perder a Humanidade”, destaca, como ninguém, a importância de uma abordagem empática, mas também assertiva, para criar uma cultura de trabalho saudável e produtiva.
O conceito central de Kim Scott pode ser resumido na capacidade do líder de dar e receber feedbacks de maneira assertiva, sem ser arrogante nem exigente, e de importar-se pessoalmente com as pessoas, ao mesmo tempo que as confronta para obter delas o resultado que se espera.
“É buscar as melhores palavras para dizer o que precisa ser dito, afinal esse é seu trabalho”, ensina também Patrícia Gomes, consultora em Desenvolvimento de Liderança na Atlas Results – Business Solutions.
Mas como ser um líder incisivo sem perder a humanidade?
Para entender melhor a importância da Empatia Assertiva, é crucial compreender os outros conceitos contrastantes que Scott apresenta – Empatia Ruinosa, Insinceridade Manipuladora e Agressão Detestável.
Empatia Ruinosa é quando um líder, na tentativa de evitar conflitos ou desconforto, acaba evitando confrontos importantes ou feedbacks construtivos. Ou quando você se importa tanto com a pessoa que, para não a magoá-la, silencia se ela está pisando na bola. Esse tipo de empatia pode levar a uma cultura de complacência e falta de crescimento, onde os problemas são ignorados em vez de resolvidos.
Na tentativa de criar um ambiente positivo e tranquilo, podemos cair na armadilha de evitar a parte difícil, porém necessária, de ser chefe: dizer às pessoas, de maneira clara e direta, quando o trabalho delas está aquém das expectativas que foram combinadas na admissão.
Insinceridade Manipuladora ocorre quando alguém tenta usar a empatia como uma ferramenta de manipulação. Isso pode acontecer quando um líder finge se importar apenas para obter algo em troca, sem um verdadeiro compromisso com o bem-estar dos outros. Você finge ser bonzinho para não se indispor, na tentativa de ser mais aceito. Nessa dinâmica, não há desafios. É uma abordagem que mina a confiança e prejudica a cultura organizacional. Líderes bonzinhos não desenvolvem.
Por fim, a Agressão Detestável representa o oposto da empatia. É quando um líder adota uma postura autoritária e dominadora, desconsiderando completamente as necessidades e sentimentos dos outros. Isso cria um ambiente de trabalho tóxico, onde os colaboradores se sentem desvalorizados e desmotivados.
Diante desses conceitos, a Empatia Assertiva emerge como uma abordagem eficaz e equilibrada. Um líder empático e assertivo é capaz de oferecer feedbacks honestos e construtivos, mantendo ao mesmo tempo um ambiente de trabalho onde as pessoas se sintam valorizadas e respeitadas. Essa abordagem promove a transparência, a confiança e o crescimento pessoal e profissional.
A Empatia Assertiva na liderança também se traduz em melhores resultados organizacionais, em você também se mostrar mais humano, passível de erros e aberto ao feedback. Se mostrar humano também conecta. Afinal, tudo se resume à essa capacidade de conexão.
Colaboradores que se sentem compreendidos e apoiados são mais engajados, produtivos e motivados a contribuir para o sucesso da empresa. Além disso, uma cultura de empatia e respeito mútuo fortalece o trabalho em equipe e a coesão organizacional.
Para cultivar a Empatia Assertiva, os líderes devem praticar a escuta ativa, buscar entender as diferentes perspectivas e oferecer feedbacks construtivos de maneira respeitosa e direta. Também é essencial estabelecer limites claros e manter a consistência na aplicação das políticas e expectativas da empresa.
Em última análise, a Empatia Assertiva não é apenas uma habilidade útil para a liderança, mas sim um princípio fundamental para construir relacionamentos genuínos e promover um ambiente de trabalho saudável e produtivo. Ao seguir os ensinamentos de Kim Scott e adotar uma abordagem de liderança baseada na Empatia Assertiva, os líderes podem criar equipes mais coesas, colaborativas e bem-sucedidas.
Roseane Mota é jornalista, formada pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e aluna do programa mentorado Bússola Executiva. É servidora pública do quadro efetivo do Estado e coordenadora de Comunicação na Unidade Gestora de Projetos Especiais - UGPE, do Governo do Amazonas.
Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.
