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A China diante da Ásia e do mundo

5 de dezembro de 2013 Sem categoria
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Ao longo dos séculos, a China experimentou o ritmo e os ciclos pendulares de abertura e fechamento em relação ao mundo exterior. Os períodos de fechamento correspondem à hegemonia dos comerciantes e dos portos; os de isolamento, os das elites político-militares. A República Popular da China busca, desde os tempos de Mao Tse Tung[1] ocupar a posição de grande potência asiática.

A política asiática de Beijing[2] desenvolveu-se em função de três focos geopolíticos: A rivalidade com a Índia; a Aliança com o Paquistão e a Aliança proteção com a Coreia do Norte. A Guerra da Coreia constituiu o enfrentamento direto entre as forças da China e dos EUA. Mais recentemente, a China atingiu o status de 2ª potência econômica mundial, desbancando o Japão, que ficou com o terceiro lugar.

Numa viagem à China na década de 1990, o economista norte americano Milton Friedman, o principal teórico do neoliberalismo, deu conselho aos membros do Partido Comunista Chinês sobre como adotar disciplinas de mercado numa economia dominada pelo Estado: “Não corte o rabo do rato de pedaço em pedaço. Corte o rabo inteiro de uma só vez”. Os economistas chineses pegaram carona na metáfora de Friedman para explicar o quanto era difícil colocar em prática as reformas defendidas pelo economista. A justificativa era que: “a China tem muitos rabos e nós não sabemos qual deles cortar primeiro”.

Logo após a eclosão da crise mundial de 2008, o governo chinês decidiu abrir a carteira em grande estilo, com uma grande expansão do crédito. O endividamento passou de 130% do PIB para cerca de 200% do valor do PIB. Os maiores beneficiados por essa política econômica foram as empresas estatais e os governos das províncias e a expectativa em relação aos êxitos de iniciativa são grandes. De acordo com o FMI, a economia chinesa deve avançar 7,6% este ano (2013). Se a estimativa se confirmar, será o pior desempenho desde 1990. O mais importante não é a queda do ritmo, uma medida quase inevitável à medida que a economia avança. O que preocupa é a constatação de desequilíbrios no cerne do modelo atual de desenvolvimento econômico da China.

No passado, o Japão e a Coreia do Sul (então um dos tigres da Ásia), adotaram uma estratégia semelhante, mas nenhum deles manteve uma taxa de investimento próximo a 50% do PIB como a China está fazendo. Só em pesquisa científica e tecnológica a China está investindo US$ 500 milhões por dia! O valor impressiona. Ao que parece, atrás da Grande Muralha da China está nascendo, crescendo e se desenvolvendo uma forte economia, mas que ainda precisa de lastro forte.

O PIB da China atingiu seu apogeu em 2007 com 14,2%; em 2013: 7,6%; em 2014: 7,3%; em 2015: 7%. Essas são as projeções. Agora, a China quer mostrar ao mundo um pouco do que conseguiu na área militar. A recente expansão do espaço aéreo da China para o Oceano Pacífico, unilateralmente, desafia o Japão e os EUA; e não deixa nada contente a Rússia, porque atrai para bem próximo do maior país do globo armas que podem destruir continentes inteiros[3]. Agora os americanos vão testar a cadeia de comando da China.

A tensão faz parte da Política Internacional. Guerra mesmo ninguém quer mais. Recentemente, um militar chinês, por curiosidade, perguntou a um colega americano desde quando os EUA estavam prontos para uma eventual, mas improvável Terceira Guerra Mundial. Ele respondeu: “Desde que terminou a Segunda”. Enquanto isso, a China se reestrutura e se prepara para ser algo mais que só um gigante comercial, se prepara para ser o dragão do século XXI.


[1] Líder da Revolução Chinesa. “Mao é o rubro Sol em nossos corações”. Cisnes Selvagens: Três Filhas da China. Jung, Chang (1999, p. 258-260).

[2] Capital da China – Pequim.

[3] Aqui estamos falando dos submarinos das Classe Ohio e Virginia, armados com mísseis SLBMs Intercontinentais (Trident II D-5), com alcance de 4.200 milhas náuticas. Submarinos navegam no Mar do Japão.

Contato com o autor: [email protected]

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Valmir Lima 5 de dezembro de 2013
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