
Por Gabriel de Sousa, Daniel Tozzi e Gabriel Hirabahasi, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defendeu nesta quarta-feira (30), em entrevista a youtubers de esquerda exibida no canal Cosmo Política, que a sociedade deve ser envolvida na escolha de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) a partir de um “conselho”.
“Tenho a ideia de envolver a sociedade na escolha. Não pode ser uma coisa de que o presidente indica um nome, esse nome vai para o Senado e aprova ou não aprova. Aí quando ele coloca a toga, ele não tem compromisso fiel com a Constituição. Quero discutir um critério”, declarou Lula.
O candidato à reeleição defendeu também a criação de mandatos para ministros da Suprema Corte, pauta que passou a defender durante a campanha após a crise instaurada na Corte com a investigação de ministros envolvidos no escândalo das fraudes bilionárias do Banco Master.
“Ninguém pode ficar 40, 50 anos na mesma função. É melhor ter mandato para todo o Poder Judiciário para que saibamos que, de vez em quando, as pessoas podem mudar também. Se o presidente troca de quatro em quatro anos, por que você não pode fazer um mandato de 10 ou 12 anos”, disse o presidente da República.
Lula voltou a dizer ainda que magistrados da Corte não podem ter ambições financeiras. “Quem quiser ser ministro da Suprema Corte não pode querer ser rico porque é incompatível. Aquilo é um sacerdócio”, comentou.
Donald Trump
Lula disse que tem uma “boa relação” com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e que já alertou ao mandatário americano para “não se meter” nas eleições brasileiras deste ano.
“Tenho uma boa relação com o Trump. Ele é uma pessoa sui generis, porque muitas vezes não diz nada com nada. Você conversa com ele e parece que não conversou. Mas ele tem me tratado com respeito e eu respeito ele”, disse Lula. “Eu disse para o Trump: não se meta nas eleições do Brasil, você vai perder as eleições. É melhor você perder do que se meter, porque se se meter você vai ficar chateado”, afirmou.
O presidente também criticou o que considera ser um “complexo de vira-latas” que existe em alguns países da América Latina. “Muita gente fica esperando a vida inteira para aparecer alguém rico para ajudar”, criticou. “Não vai aparecer, não vai”, reforçou o presidente.
Flávio Bolsonaro
Sobre o senador Flávio Bolsonaro, principal adversário na disputa pela Presidência da República, Lua criticou a biografia do concorrente. O presidente disse que Flávio nunca trabalhou na vida e se tornou vereador com 21 anos de idade “apoiado pelo crime organizado”.
“Qual o compromisso com qualquer seriedade que esse cara Flávio tem? Nenhuma, ele não tem biografia, nunca trabalhou na vida. Ele foi eleito vereador com 21 anos de idade, já apoiado pelo crime organizado do Rio de Janeiro, pelos milicianos e nunca mais parou”, disse Lula.
Jair Bolsonaro
Ele também criticou a biografia do pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, dizendo que ele também nunca trabalhou na vida, entrou para o exército e tentou “estourar quartel”.
Lula ainda disse que fica “com pena” quando vê que, quanto mais graduada e instruída a pessoa é, mais ela é conservadora. “Quando vejo um cara com diploma universitário, economista, cientista, votar no Bolsonaro, eu fico pensando, o que esse cara espera da vida? O que esse cara aprendeu de política na vida?”, questionou.
Lula também criticou o volume das emendas parlamentares hoje. “Não existe país no mundo em que Congresso fica com 50% do orçamento da União”, criticou.
Agências reguladoras
Lula ainda afirmou que o Congresso também “tomou conta” do controle de agências reguladoras. “Tem muita gente nas agências que são representantes de empresários indicados por senadores, o que é um equívoco enorme. Ou seja, quem define a política pública é o governo”.
Fundo eleitoral
O petista ainda avaliou que, no passado, já foi favorável à existência dos fundos eleitorais e partidários, mas que hoje é “taxativamente” contra.
“Acho que levou os partidos políticos a uma coisa chamada promiscuidade. se depender da minha vontade pessoal, vou trabalhar para acabar com isso os fundos”, disse Lula, acrescentando que, por isso, é favorável a uma nova reforma política no país.
