
Do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quarta-feira (16) a robotização no mercado de trabalho e disse que, com o avanço da tecnologia, “cresceu o desemprego, a favela, a miséria”. Lula se manifestou em reunião com ministros e citou que grandes empresas do setor automotivo antigamente tinham 40 mil trabalhadores, produziam 1.200 carros por ano e hoje têm 12 mil trabalhadores e produzem o dobro de carros. “Quem ganhou? Não foram os trabalhadores”.
Por isso, argumentou o presidente, a “redução de jornada de trabalho não deveria nem ser discutida, os empresários deveriam propor”.
Lula defendeu que o momento atual exige profissionalismo e pragmatismo de sua equipe. O presidente afirmou que a disputa do ano que vem será contra um adversário que não teria “o mesmo perfil de compromisso com a sociedade”. “Qual é o perfil de um dos possíveis candidatos, e outros que não são candidatos ainda, tem? O povo vai voltar a ser invisível, porque essa gente não enxerga o povo”, declarou.
“O momento que nós estamos vivendo exige que sejamos mais profissionais e mais pragmáticos. Até hoje não conversei com vocês sobre política. Um monte de vocês eu nem conhecia, ou conhecia de jornal. Quando trago alguém para ser meu parceiro, estabeleço relação de confiança”, afirmou o presidente na reunião ministerial nesta quarta na Granja do Torto.
Reuniões diárias
O presidente disse que vai tirar uns dias de descanso no fim do ano, voltando dia 6 de janeiro. Depois disso, ele disse que vai ter reuniões com os bancos públicos e com os ministros de áreas específicas.
Em sua fala de encerramento no encontro ministerial, o petista disse que todos precisam conhecer as políticas do governo para poder falar como um todo da gestão. Ele deu um “puxão de orelhas” nos ministros ao dizer que é preciso não confundir comunicação com poluição visual.
“Eu não quero, nesse final de ano, ser grosseiro com ninguém, mas é preciso que a gente não confunda poluição visual com comunicação. Não adianta a gente querer colocar 80 coisas num pedaço de papel que as pessoas olham e não entendem”, declarou.
(Reportagem: Gabriel Hirabahasi, Mateus Maia e Gabriel de Sousa)
