
Informação e Opinião
Por Valmir Lima, do ATUAL
MANAUS – O pastor Silas Malafaia cabe muito bem no rótulo cunhado pelo jornalista Ricardo Boechat: “um sujeito asqueroso”. Fala como se fosse um pitbull raivoso quando quer atacar adversários ou quando tenta arrancar dinheiro de pessoas desesperadas. Desde 2018, resolveu entrar de cabeça na política suja brasileira e abraçou Jair Bolsonaro e o bolsonarismo como se fosse sua nova religião.
Na última quarta-feira (20) foi recebido pela Polícia Federal no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, quando voltava de uma viagem a Portugal. Teve o passaporte e outros pertences apreendidos e foi interrogado por policiais em um inquérito em que o ex-presidente Jair Bolsonaro e o filho dele Eduardo foram indiciados.
A busca e o interrogatório da PF nada têm a ver com questão religiosa, como Malafaia e seus seguidores andam inventando. Tem relação com crimes praticados por uma organização criminosa, nas palavras do Ministério Público e do ministro Alexandre de Moraes, que tenta desestabilizar o Judiciário brasileiro com o propósito de evitar o julgamento dos envolvidos na tentativa de golpe de estado em 2022/23, durante a campanha eleitoral para presidente da República e após a derrota de Jair Bolsonaro para Lula.
Malafaia não está sendo investigado pelo que disse no púlpito da igreja, mas pelos arroubos que tem vomitado desde que assumiu a defesa incondicional de Bolsonaro, de quem ele se diz conselheiro.
Também não está sendo investigado pelas ofensas que tem destilado contra o ministro Alexandre de Moraes nas manifestações que tem organizado, com a desfaçatez de que é para anistiar os condenados por participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Silas Malafaia estava tramando contra a Justiça brasileira nesse período curto em que o ministro Alexandre de Moraes proibiu o ex-presidente Bolsonaro de atuar contra o processo no qual é réu. O objetivo da tropa que apoia Bolsonaro é evitar que ele seja preso. Como pano de fundo, eles defendem que o Congresso Nacional aprove uma anistia aos condenados pelo 8 de janeiro/23.
O ministro Moraes disse que há “fortes evidências” de que Malafaia “atua na construção de uma campanha criminosa orquestrada, destinada à criação, produção e divulgação de ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal” e comparou essa atuação à de milícias digitais.
Antes de ser líder religioso, Malafaia é um cidadão brasileiro como qualquer outro, e precisa se submeter às leis do país. Ninguém está acima da lei, mesmo um pastor evangélico, que deveria ser um exemplo de respeito às pessoas. Ao contrário, o pastor ofende autoridades, desafia, ameaça, e evoca a parcela da população que lhe dá crédito a ir às ruas, pressionar essas autoridades.
Esse comportamento não é novo; é típico dos fascistas e golpistas. Foi o mesmo comportamento da extrema direita e da direita em 1964, quando os militares tomaram o poder e mandar o presidente João Goulart ao exílio.
As mesmas mentiras, os mesmos argumentos, os mesmos clichês: comunismo, contra a tradicional família brasileira, contra os costumes. Na verdade, o que eles buscam é o poder incondicional e ilimitado.
O processo em que Bolsonaro e seus ex-auxiliares de governo são réus mostra que o objetivo era se perpetuar no poder, e tentaram usar as Forças Armadas contra a maioria da população que elegeu Lula presidente. O golpe fracassou porque duas forças – o Exército e a Força Aérea – não toparam.
Também é mentira que vivemos sob uma ditadura. Tanto é assim que Silas Malafaia e uma cambada de políticos e religiosos aparecem em um novo vídeo publicado nas redes sociais do pastor convocando a população para uma nova manifestação nas ruas do país para o dia 7 de setembro.
Na chamada, justificam a manifestação “pela nossa liberdade”, “pela democracia”, “pelo nosso futuro e de nossos filhos”, coisa que as ditaduras sempre rejeitaram. Ditaduras apoiadas por essas mesmas pessoas que convocam a população a sair às ruas.
No regime militar, que Bolsonaro e seus seguidores negam, os críticos eram torturados e mortos. O país vivia sob vigilância do Estado e de olheiros. Bastava ter um livro de autor ligado ao comunismo ou ao socialismo que o dono era preso, torturado e, muitas vezes, morto.
Na ditatura apoiada pela corja que hoje ladra, ninguém poderia fazer manifestação. Os organizadores seriam presos, torturados e mortos.
Os meios de comunicação eram impedidos de publicar a verdade. A censura era imposta sob o regime das armas apontadas para a cabeça de quem ousava desafiar as ordens dos militares.
Hoje, meia dúzia de criminosos que querem evitar o julgamento da Justiça no Brasil tentam convencer a população de que vivemos sob um regime autoritário. Não vão convencer ninguém além dos contaminados pela doença do bolsonarismo.

