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Políticazmanchete

Em carta aberta ao juiz Sérgio Moro, Arthur Virgílio critica vazamentos da Lava Jato

24 de março de 2016 Política zmanchete
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O prefeito Arthur Virgílio Neto pergunta ao juiz Sérgio Moro o que o nome dele tem a ver com a Operação Lava Jato (Fotos: Divulgação)
O prefeito Arthur Virgílio Neto pergunta ao juiz Sérgio Moro o que o nome dele tem a ver com a Operação Lava Jato (Fotos: Divulgação)

MANAUS – O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), publicou, na madrugada desta quinta-feira, 24, na pagina pessoal dele no Facebook, uma carta aberta ao juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na Justiça Federal de Curitiba, em que critica o vazamento de documentos como a lista de políticos que teriam recebido doações da Construtora Norberto Odebrecht. A lista ou as listas estão entre uma série de documentos apreendidos na 23ª fase da Operação Lava Jato, que a Polícia Federal encontrou na casa do presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa Silva Junior, no Rio de Janeiro, no dia 22 de fevereiro deste ano.

O vazamento ocorreu nesta quarta-feira, 23, e gerou um reboliço no meio político. No caso de Arthur, o nome dele aparece como beneficiário de doação de campanha eleitoral no ano de 2010, quando ele concorreu à reeleição de senador. A planilha informa que a empresa faria doação de R$ 100 mil, mas pagou R$ 80 mil ao candidato.

Em nota, o prefeito informou, na quarta-feira, que os R$ 80 mil foram recebidos pela campanha dele da empresa Leyroz de Caxias Indústria Comércio & Logística Ltda, ligada ao Grupo Odebrecht. “O valor doado, conforme consta no documento, foi de R$ 80.000,00, por Leyroz de Caxias Indústria Comércio & Logística Ltda, empresa ligada ao grupo Odebrecht, documentada no recibo eleitoral 45000204526. Doação legal, registrada no TRE”, diz nota.

Na carta aberta, Arthur afirma ter lido com muita surpresa a lista objeto do vazamento, “que mistura o legal com o ilegal, o verdadeiro com o falso”, e afirma que “é preciso separar o que são doações legais de campanha documentadas oficialmente aos TREs, do que chamam de propinas. Ao juntar todos em uma única lista, surgem as distorções”.

Depois de explicar a doação dos R$ 80 mil que recebeu do Grupo Odebrecht, Arthur faz uma série de questionamentos ao juiz Sérgio Moro, a começar por estes: “Que obséquio poderia o líder oposicionista (mais vigoroso) ao consulado do presidente Lula da Silva? Teria a Odebrecht doado a formidável quantia de R$ 80 mil para um senador que pudesse obter recursos a serem investidos no Porto Mariel ou em qualquer desperdício na Venezuela, na Bolívia e afins?”

Em seguida, Arthur também questiona “por quê esse vazamento tão eivado de injustiças”. E arremata: “Mais outra: o que tenho eu a ver com a Lavajato? O que tem minha campanha de 2010 a ver com descaminhos futuros e desastrosos dessa empresa baiana?”

Por fim, o prefeito pede ao juiz respeito ao nome dele. “Com o nome que recebi dos meus maiores, ninguém brinca. O senhor, portanto, terá de respeita-lo como eu, até o presente, tenho respeitado o seu”.

Leia a íntegra da carta abaixo:

CARTA ABERTA AO JUIZ SÉRGIO MORO

Tenho acompanhado, como brasileiro esperançoso, sua atuação à frente da operação Lavajato.
Daí a admiração que, de longe, passei a nutrir por sua pessoa.

Veja bem, dr. Moro, admiro muitos dos seus gestos, mas obviamente não o idolatro. A idolatria não seria benéfica para ninguém, principalmente para o senhor mesmo. Atitudes e sentimentos exagerados acabam por deformar o alvo das homenagens. Acredite nisso.

Li, com muita surpresa, uma certa lista – ou planilha, para usar palavra tão em moda nestes tempos tristes – que mistura o legal com o ilegal, o verdadeiro com o falso. Trata-se de um rol de nomes que teriam sido beneficiados com doações, em dinheiro, da empresa Odebrecht. Mas é preciso separar o que são doações legais de campanha, documentadas oficialmente aos TREs, do que chamam de propinas. Ao juntar todos em uma única lista, surgem as distorções.

Vamos aos fatos: recebi, em 2010, R$ 80 mil, a título de colaboração para a minha campanha de reeleição ao Senado. Tal doação faz parte da declaração que apresentei ao TRE-AM, que prontamente aprovou minhas contas de campanha. Mais ainda: fui deputado federal por 12 anos, secretário-geral do PSDB por 3, senador por 8, prefeito de Manaus pela segunda vez. Fui líder do governo Fernando Henrique, por duas vezes, e Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência, no primeiro mandato desse mesmo ilustre presidente. Pois entrei e saí de postos tão nevrálgicos sem ter sido questionado por quem quer que fosse. E nunca beneficiei a empresa Odebrecht, ou outra qualquer, muito orgulhoso que fico de nunca ter recebido solicitações de qualquer sorte ou de qualquer. Aliás, desprezo quem oferece propina e desprezo também quem é procurado para recebê-la. O propineiros sabem as árvores que podem dar bons frutos e, portanto, jamais cruzam os caminhos das pessoas de bem.

Uma pergunta se recusa ao silêncio: que obséquio poderia o líder oposicionista (mais vigoroso) ao consulado do presidente Lula da Silva? Teria a Odebrecht doado a formidável quantia de R$ 80 mil para um senador que pudesse obter recursos a serem investidos no Porto Mariel ou em qualquer desperdício na Venezuela, na Bolívia e afins? Mais uma indagação, se o senhor não se aborrece em analisa-la: por quê esse vazamento tão eivado de injustiças. Mais outra: o q tenho eu a ver com a Lavajato? O que tem minha campanha de 2010 a ver com descaminhos futuros e desastrosos dessa empresa baiana?

Por quê então, dr. Moro, meu nome, nessa lista tão esdrúxula? Em mim e em quem me conhece, causou uma estranheza enorme. E eu não poderia calar, diante desse imerecido constrangimento.
Dr. Moro, o senhor é um bom e corajoso juiz. Isso deveria bastar-lhe. Não deslegitimize a Lavajato com vazamentos desse tipo.

Aguardo providências suas. Com o nome que recebi dos meus maiores, ninguém brinca. O senhor, portanto, terá de respeita-lo como eu, até o presente, tenho respeitado o seu.

Muito cordialmente, Arthur Virgílio Neto

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Assuntos Amazonas Atual, Arthur Virgilio Neto, Lava Jato, lista, Odebrecht, Sérgio Moro
Valmir Lima 24 de março de 2016
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