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Os desafios da mobilidade urbana (parte I)

6 de janeiro de 2014 Sem categoria
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O Brasil viveu nos últimos anos, especialmente a partir de 2003, um processo de modernização em seu padrão de desenvolvimento, superando parte importante das históricas restrições ao seu processo de crescimento econômico. São inegáveis os avanços obtidos pela economia brasileira no que diz respeito ao crescimento e dinamismo do seu mercado interno e à ampliação de sua inserção internacional, a qual também avançou na esfera política, notadamente no âmbito da América Latina, da África e do G-20. Entretanto, apesar dos avanços obtidos nos últimos anos, a erradicação da pobreza extrema e a redução das desigualdades sociais e regionais existentes continuam a ser alguns dos principais desafios brasileiros.

Em se falando de mobilidade urbana, a cidade de Manaus enfrenta os graves problemas inerentes a uma cidade que cresce sem planejamento e de forma desordenada, como resultado da falta de políticas públicas eficientes e eficazes para solucionar os problemas oriundos desse crescimento desordenado. A mobilidade urbana em Manaus, segundo a própria SMTU enfrenta os seguintes problemas: O sistema de transporte público apresenta crises setoriais gerando grandes investimentos das indústrias automobilísticas para a produção e venda de automóveis, efeito cultural da utilização do automóvel e da criação de status social.  No Brasil, 80% da população vive em cidades. Mas a falta de organização e atualização das redes de serviços de transporte público resulta na formação de um emaranhado de linhas de ônibus operando com grande desperdício de tempo e de custos.

Soma-se a isso, a falta de controle do sistema; a baixa consistência, qualidade e disseminação de informações; repasse de verbas do sistema instável; insuficiência de estrutura para fiscalização e controle da operação do sistema; inexistência de parâmetros de avaliação de desempenho, além de outros problemas. A SMTU tem como função: gerir; planejar; regulamentar; controlar e fiscalizar o sistema de transporte público de passageiro e, no que couber, também o transporte de carga; elaborar e coordenar a implantação do plano de transportes e dos regulamentos necessários ao funcionamento do sistema; planejar, implantar e operar conexões intermodais de transporte e elaborar estudos tarifários e submetê-los ao chefe do poder executivo municipal.

A Estratégia Nacional para Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) destaca a importância da ciência, a tecnologia e a inovação (C,T&I) como eixo estruturante do desenvolvimento do país e estabelece diretrizes que devem orientar as ações nacionais e regionais no horizonte temporal de 2012 a 2015. Com visão de futuro, deve se dar especial atenção à inclusão social, principalmente por meio da transferência de tecnologias maduras para a agricultura familiar, pequenos produtores, micro e pequenas empresas e empreendedores individuais, bem como do desenvolvimento de tecnologias assistivas. Por último, pretende-se avançar em uma política de difusão de C&T, de modo a motivar a juventude a se interessar por carreiras científicas e tecnológicas e a propiciar mais conhecimento à população para o exercício da cidadania em tempos de imersão tecnológica.

Nas tecnologias assistivas (da ENCTI), incluem-se o transporte público. Os exemplos de inovações no setor do transporte público mostram que a tecnologia pode ajudar a resolver os gargalos do trânsito das grandes cidades. O crescimento da tecnologia como um todo extrapolou os limites dos aparelhos eletrônicos e já vem sendo percebido também na infraestrutura das cidades. Exemplo disso é o transporte público que, apesar de ser alvo de muitas reclamações nos dias atuais, tem passado por importantes mudanças e adaptações tecnológicas nos últimos anos.

A troca do veículo particular pelo transporte público pelo morador das cidades grandes tem tudo para acontecer nos próximos anos. Alguns municípios brasileiros têm investido em novos meios de locomoção coletiva que se apresentam mais confortáveis, rápidos e sustentáveis. Exemplo disso é o Aeromóvel de Porto Alegre (RS), previsto para ser implementado neste ano na capital gaúcha. De produção e tecnologia totalmente brasileiras, é um trem em via elevada e movido a ar. Seu funcionamento é simples: ao invés de ter um motor, o veículo é “soprado” por ventiladores em um duto localizado dentro da via. O vento empurra uma espécie de vela fixada ao veículo, que se movimenta por rodas sobre os trilhos. O Aeromóvel ligará a estação de metrô Aeroporto ao Terminal 1 do Aeroporto Internacional Salgado Filho, prometendo realizar um percurso de quase 1km em 90 segundos!

Outro exemplo é a cidade de Brasília, que testou nos últimos meses um novo modelo de ônibus elétrico para auxiliar a sua frota durante a Copa do Mundo de 2014. O veículo é 100% movido a eletricidade – o que não gera emissão de poluentes, por ser uma energia renovável, e ainda reduz significativamente a poluição sonora – com bateria que permite andar até 150 km sem fazer uma nova recarga, e cujo tempo de recarga dura no máximo três horas. O modelo é importado da China, onde já circulam mais de 1.800 veículos elétricos.

Fora do Brasil, os projetos de transporte público são ainda mais ambiciosos. Dentre os trens, o que gera maior expectativa é o modelo Maglev, um comboio de levitação magnética, suspenso no ar como o Aeromóvel, mas que utiliza as leis da atração e repulsão para se locomover, reduzindo o ruído e possibilitando viagens a velocidades próximas até as dos aviões (até 580 km/h). Um modelo já está sendo utilizado na Coreia do Sul e versões experimentais semelhantes estão sendo finalizadas na China, Japão e Alemanha, enquanto que o Brasil já apresenta estudos para um tipo de Maglev (aqui chamado de Maglev-Cobra).

Um exemplo terrestre de inovação tecnológica é um tipo de micro-ônibus particular a ser lançado na Suíça no mês de março deste ano, o Micro Max. Com a promessa de inovar o transporte no mundo, o modelo, produzido pela Rinspeed, rodará pelas ruas conectado a uma rede GPS que poderá, dentre outras coisas, modificar a rota em tempo real, calcular a velocidade do percurso, localizar possíveis passageiros por proximidade, e receber informações dos outros veículos semelhantes ligados à mesma rede. Dentro do veículo, inicialmente projetado para carregar até quatro passageiros sentados ou em pé, o passageiro ainda terá a possibilidade de transferir o conteúdo de seus smartphones para uma tela touchscreen via nuvem – tudo isso enquanto toma um café feito por uma máquina instalada no mesmo espaço.

Os exemplos citados mostram a possibilidade de integrar um número maior de pessoas ou de regiões de maneiras que prometem abandonar o caos provocado pelos ônibus e trens atuais, e claro, o excesso de carros e veículos particulares. Com os avanços cada vez maiores da tecnologia, a questão do transporte público tem tudo para ser melhorada no mundo como um todo, com soluções que ganham do momento atual em mobilidade, agilidade e sustentabilidade. Se os custos de produção são altos, a sociedade poderá agradecer no futuro pelos investimentos que deixará de fazer, tanto em um âmbito coletivo como no particular. Em Manaus, as medidas necessárias para otimizar o sistema são: reserva do espaço viário para  o transporte público; investimento em vias exclusivas; reestrutura das atuais linhas; contenção do fluxo de veículos particulares; estímulo da utilização do transporte coletivo; educação e conscientização da coletividade.

 


[1] Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) – 78ª Reunião do Fórum Nacional de Secretários(as) e Dirigentes Públicos de Transporte e Trânsito – Desafios e Perspectivas para a Mobilidade Urbana em Manaus (2013).

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Assuntos mobilidade urbana, transporte público
Valmir Lima 6 de janeiro de 2014
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