
Do ATUAL
MANAUS – O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) utilizou nova metodologia de coleta de dados que permite a autoidentificação indígena. Pela primeira vez os recenseadores indagaram às pessoas que vivem fora de terras demarcadas se elas se consideravam indígenas.
A estratégia possibilitou um aumento expressivo no número de indígenas. Em 2010 eram 896.917; em 2022 o IBGE contabilizou 1.693.535, aumento de 88.8% entre os dois censos. No Amazonas, o crescimento foi de 167,4%, passando de 183.514 para 490.854.
A pergunta “você se considera indígena?” foi feita tanto em terras demarcadas quanto fora delas. O IBGE identificou aumento em terras indígenas oficiais passando de 501 em 2010 para 573 em 2022.
O recenseador também indagou a cor e raça no Censo. O IBGE verificou que 72,4% dos indígenas se identificaram pela pergunta de cor e raça, enquanto 27,6% se declararam indígena.
Segundo Tiago Almudi, analista e supervisor de Pesquisas no IBGE do Amazonas, a possibilidade de realizar a pergunta complementar aumentou o registro de indígenas no país. “O percentual expressivo das pessoas que se auto declararam indígenas no Brasil, principalmente nas zonas urbanas, foi através desse segundo quesito”.
“Em Manaus, pouco mais de 71 mil pessoas se auto declararam indígenas. Dessas, apenas 18 mil se auto declararam indígenas logo na primeira pergunta. No entanto, com a pergunta de cobertura, mais de 53 mil se auto declararam indígena. Ou seja, se não houvesse esse questionamento, teríamos dados na capital incompletos, mas como abrimos a esse novo questionamento conseguimos um número muito maior”, disse Tiago Almudi.
No ano passado, foram contabilizados 71.713 indígenas em Manaus. A capital amazonense concentra o maior número de indígenas no país.
