
Do ATUAL, com Ascom ICMBio
MANAUS – Desde maio, o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) realiza queimas preventivas contra incêndios florestais. No Cerrado, a prevenção começou no final do mês de junho na Esec (Estação Ecológica Serra das Araras) no Mato Grosso.
“É o período em que as chuvas cessaram há cerca de três semanas, então há condições de fazer um fogo de forma segura, no que chamamos de janela de queima”, informou o chefe da Esec Marcelo Andrade.
Marcelo Andrade explica que essa prática tem uma função ecológica: “O fogo é colocado sobre a vegetação que é tolerante e dependente de fogo. É um fogo brando, que não mata as espécies arbóreas, arbustivas e queima somente o capim seco”.
Feita por profissionais, os brigadistas do ICMBio, a técnica está integrada com o Manejo Integrado do Fogo, um conjunto de estratégias utilizadas pelo órgão há mais de uma década.
A técnica é aplicada também em outras unidades de conservação como no Parque Nacional do Araguaia. O ICMBio utilizou um helicóptero para acessar áreas alagadas.
De acordo com o chefe do Parque Nacional do Araguaia, Lino Rocha, as ações devem prosseguir até o final das chamadas “janelas de queima”, previsto para o dia 15 de julho.
Na região Norte, por questões relacionadas à umidade do ar, à vegetação e à temperatura, as queimas começaram em maio e foram mantidas em junho. Integrada ao calendário das unidades e ao planejamento do PMIF (Plano de Manejo Integrado do Fogo), as atividades incluem a Estação Ecológica de Cuniã e a Floresta Nacional de Jacundá, ambas em Rondônia.
De acordo com a analista ambiental do NGI Cuniã-Jacundá, Salomé Santana, é essencial criar barreiras à disseminação de incêndios, preservando, assim, os campos naturais. Na Estação Ecológica, há histórico de incêndios que ocorreram fora deste período e atingiram mais de 4.000 hectares. Diferente do ocorrido no incêndio, a queima tem baixa severidade e intensidade, mantendo a resiliência do ambiente.
Na Floresta Nacional, a queima prescrita também tem o objetivo de realizar o controle de áreas com a presença de espécies invasoras (capim). Futuramente, será desenvolvido um projeto de recuperação com espécies lenhosas nativas da região.
Também são feitas queimas preventivas no Parque Nacional dos Campos Amazônicos, em Rondônia, onde mais da metade dos incêndios têm causas naturais, como raios.
A queima prescrita é o uso do fogo em parcelas da vegetação criando uma barreira natural para evitar o espalhamento das chamas quando ocorrem incêndios florestais, principalmente na época da seca. Com uso do equipamento pinga-fogo, somente é queimado o material seco da vegetação que se acumula no solo e pode agravar os incêndios.
