
EDITORIAL
MANAUS – Os aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tentam desviar o foco do que é essencial nas denúncias levadas à CPI da Covid-19 no Senado pelos irmãos Miranda a respeito das suspeitas que rondam a compra bilionária da vacina indiana Covaxin.
A primeira estratégia de senadores governistas foi tentar impedir que os depoentes Roberto Miranda (funcionário do Ministério da Saúde) e o irmão dele, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) dessem informações que pudessem comprometer o governo. Não conseguiram êxito.
No final de um depoimento que durou quase 7 horas, Luis Mirando revelou o nome do deputado citado pelo presidente Jair Bolsonaro, quando os irmão Miranda o procuraram para comunicá-lo sobre as suspeitas de irregularidade na compra das vacinas. É o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR).
O que os governistas tentaram fazer, depois? Desviar o foco para o documento apresentado incialmente por Roberto Miranda que mostravam a compra de 300 mil doses da vacina e não 3 milhões de doses, como deveria ser a compra.
O senador Marcos Rogério (DEM-RO), principal defensor do presidente na CPI, tentou mostrar que houve, ali, apenas um erro que foi corrigido no segundo documento, que também continha erros e que foi corrigido no terceiro documento. Rogério insistiu na tese de que Roberto Miranda sabia da existência dos três documentos, mas divulgou apenas o primeiro para fazer barulho na imprensa.
A questão dos documentos foi esclarecida. Mas ela não é o foco principal, não é o essencial nessa história. Três elementos formam a essência desse caso: 1) as pressões que o funcionário diz ter sofrido para apressar a compra da vacina indiana, incomum nas compras anteriores; 2) o preço aceito pelo governo para a compra, muito acima do preço pago por outras vacinas; 3) o fato de o presidente Jair Bolsonaro ser alertado das suspeitas de irregularidade e nada fazer.
Portanto, a investigação seja da Polícia Federal seja da CPI da Covid ou dos órgãos de controle deve ser direcionada a esclarecer esses três elementos.
Ainda não está claro que houve irregularidade na compra da vacina Covaxin, por isso, a necessidade de investigação, não do servidor e do deputado que escancararam o caso, mas dos fatos que os levaram a escancarar.


Vejam como os tempos são outros… Hoje se discute possíveis corrupções no Futuro(Intenções), pois nada foi pago por esta Vacina, ou seja, NÃO houve danos ao erário, fato este Não ressaltado por grande parte da Imprensa… Enquanto que antigamente se discutia DANOS já ocorridos.
Houve a Licitação ou Dispensa, o Contrato e somente a emissão de Empenho(reserva de valores no orçamento), faltando a Liquidação desta Nota e o posterior Pagamento, ou seja, NÃO houve o encerramento da execução orçamentária/financeira==> Uma Sociedade com conhecimento não é facilmente manipulada.