
Da Redação
MANAUS – O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, disse que o sistema funerário de Manaus está em colapso. Segundo o prefeito, 106 pessoas foram sepultadas nessa segunda-feira, 20, e 36% delas morreram em casa. O número máximo de sepultamentos em Manaus foi de 35 quando a H1N1 se tornou uma epidemia, no ano passado. As declarações foram feitas em vídeo publicado nas redes sociais, após reunião com vice-presidente Hamilton Mourão.
A Semcom (Secretaria Municipal de Comunicação) informou, em nota, que com o aumento na demanda do cemitério público Nossa Senhora Aparecida, no Tarumã, na zona oeste, em consequência da Covid-19, e devido aos consecutivos conflitos entre familiares e a imprensa na cobertura dos sepultamentos, o acesso ao local está restrito às famílias que forem enterrar os seus entes queridos, na quantidade máxima de cinco pessoas, conforme o Decreto nº 4.801, de 11 de abril de 2020, publicado no Diário Oficial do Municipal (DOM). “A medida visa preservar a privacidade das famílias enlutadas e também considera o risco de propagação do novo coronavírus”, comunica a Semcom.
“Antes da Covid, o número de sepultamentos de Manaus ficava entre 20 e 35 quando tinham aquelas gripes sazonais como H1N1. De repente, esses números foram pulando. Um dia bateu em 66 sepultamentos, depois foi para 88, ontem (domingo) foi para 121 e hoje (segunda) 106, mas com uma coisa muito grave. No domingo, 17% das pessoas que foram sepultadas morreram em casa, hoje (segunda) das 106, 36,6% das pessoas morreram em casa. Está se caracterizando uma falência, um certo colapso das possibilidade de atender”, disse o prefeito. Os cemitérios são administrados pela prefeitura.
O prefeito declarou que “Manaus vive um estado de absoluta calamidade pública” e que em reunião com o vice-presidente Hamilton Mourão alertou para a gravidade da situação. “É preciso remédio, equipamento para enfermeiros, é preciso mais tomógrafos. O quadro é muito grave, as pessoas precisam estar em casa”, disse.
O prefeito estima que o mês de maio seja de crescente na curva do número de casos e que por isso Manaus não tem condições de voltar com as atividades cotidianas. “O pico da Covid deverá se dar em maio, então o momento mais crítico não é este terrível que eu gostaria de esquecer no futuro. É o mês de maio, é esse que vai definir muitas coisas se não andarmos certos. Vamos ver cada vez mais o quadro se aprofundar e atrasar o achatamento da curva. Manaus não está em condições de abrir (afrouxar o isolamento)”, disse.
A prefeitura instalou um Hospital de Campanha e, segundo Arthur Neto, já está atendendo em sua capacidade máxima. O prefeito lamentou o teor negativo das informações que divulgou, mas declarou que esse é o momento de informar. “Nosso hospital de campanha tá trabalhando bem, foram 4 altas que as pessoas receberam (nessa segunda-feira, 20). O Hospital está crescendo, o número de UTIs vai crescendo também, mas ele está totalmente lotado. É uma notícia triste, mas você precisa estar informado, é um momento que exige responsabilidade, então fique em casa”, disse.
No Cemitério N.S. Aparecida, vítimas do coronavírus estão sendo enterradas em cova coletiva. Confira o víde.
