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Política

Deltan diz que é acusado de ser de direita e de esquerda e nega viés político na Lava Jato

26 de agosto de 2019 Política
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Dental Dallagnol negou viés político na lava Jato (Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados)

Da Folhapress

SÃO PAULO-SP – O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato em Curitiba, afirmou na noite desse domingo, 25, que é “acusado ao mesmo tempo de ser de direita e de esquerda” e que isso só mostra a identificação do seu trabalho com “a causa anticorrupção, que é suprapartidária”.

O comentário, publicado em redes sociais, foi feita logo após atos em ao menos 19 estados e no Distrito Federal que defenderam a indicação dele à Procuradoria-Geral da República e apoiaram o ministro Sergio Moro (Justiça) e o presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Deltan tem sido destaque no noticiário após a divulgação de mensagens que ele trocou pelo aplicativo Telegram sobre a operação que coordena, obtidas pelo site The Intercept Brasil e analisadas pela Folha e por outros veículos.

As mensagens levaram partidos de esquerda e centro-esquerda, como PT, PC do B, PSOL e PSB, a pedirem o afastamento do procurador. No último mês, Bolsonaro também atacou o procurador, ao compartilhar uma publicação nas redes sociais que o chamava de ‘esquerdista estilo PSOL’ em resposta a um usuário que pediu a indicação de Deltan para a PGR.

A resposta também publica reproduções em que Deltan compartilha críticas à ditadura militar e cita casos de investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente, e sobre o esquema, revelado pela Folha, de candidatos laranjas do PSL envolvendo o ministro do Turismo, Marco Álvaro Antonio.

No post desse domingo, Deltan disse que “nosso trabalho (força-tarefa da Lava Jato) foi feito com a isenção que era necessária e não tem – nem nunca teve – viés político-partidário”, afirmou. Na última semana, Deltan afirmou que o combate à corrupção no país está sob ataque por parte dos três Poderes da República.

Em entrevista à Gazeta do Povo no último dia 20, ele disse que a Lava Jato e todos os mecanismos anticorrupção do Brasil estão ameaçados por ações do Congresso, do STF e do governo Bolsonaro. “A gente vê um movimento amplo (de enfraquecimento do combate à corrupção). Não é um movimento restrito, não é uma pessoa ou duas. A gente vê um movimento que engloba o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”, disse Deltan.

O procurador acredita que o vazamento de mensagens da força-tarefa faz parte desta estratégia de enfraquecimento e que cabe à sociedade civil se manifestar “para que as mudanças positivas aconteçam e não os retrocessos”.

Mensagens e a Lava Jato

Em 9 de junho, o site The Intercept Brasil começou a publicar mensagens privadas e de grupos da força-tarefa da Operação Lava Jato no aplicativo Telegram a partir de 2015. O site informou que obteve o material de uma fonte anônima, que pediu sigilo. 

As mensagens obtidas pelo Intercept e divulgadas até este momento revelam que Moro, então juiz federal, indicou ao procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, uma testemunha que poderia colaborar para a apuração sobre o ex-presidente Lula.

O ex-juiz, segundo as mensagens, também orientou Deltan a incluir prova contra réu da Lava Jato em denúncia que já havia sido oferecida pelo Ministério Público Federal, sugeriu ao procurador alterar a ordem de fases da operação e antecipou ao menos uma decisão judicial.

Em julho de 2017, o então corregedor-geral do Ministério Público Federal, Hindemburgo Chateaubriand Filho, criticou informalmente a conduta do procurador da República Deltan Dallagnol na divulgação de palestra, ressaltou a gravidade da situação, mas deixou de abrir apuração oficial, apontam diálogos no aplicativo Telegram obtidos pelo The Intercept Brasil e analisados em conjunto com a Folha de S.Paulo.

O caso envolveu a divulgação feita por Deltan de uma palestra dele na qual prometia revelações inéditas sobre a Lava Jato e que teria cobrança de ingresso dos participantes.

Hindemburgo expôs a reprovação ao procurador, que fez alteração no teor da publicidade da palestra. Em seguida, ele comentou que sua intervenção no episódio resultava do apreço que tinha por Deltan e saía da linha de atuação regular de um corregedor-geral, o fiscal máximo da atividade dos procuradores. “Só quero lhe dizer q liguei em consideração a vc é ao Januário (procurador Januário Paludo). Como Corregedor, na verdade, não me competia fazer o q fiz”, afirmou.

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Assuntos Dentan Dallagnol, Lava Jato
Cleber Oliveira 26 de agosto de 2019
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