Essa história da descoberta da América pelo Colombo já virou lorota. Faz tempo que se sabe que os primeiros europeus a pisar na América foram os noruegueses no final do século 8, entre os anos de 983 e 986. Também é sabido que aquelas incursões não resultaram em nada, pois o que restou delas são apenas vestígios arqueológicos, coisa bem diferente do que aconteceu depois que Colombo aportou (ou seria aprontou?) quinhentos anos depois.
Tranquilo e sábio com essas informações me deparei com um livro que afirma, nada mais, nada menos, que eu não sabia de tudo e que havia mais personagens entre uma e outra chegada às Américas: os chineses. Sem mistério, pois na capa o título já entrega o assunto, 1421 – O ano em que a China descobriu o Mundo, o livro é uma paulada na moleira da nossa história.
Curioso como um gato imprudente corri atrás de escritos sobre Gavin Menzies. Descobri que ele é um comandante de submarinos reformado da marinha britânica. Ora, para escrever sobre navegações nada pode credenciar mais um sujeito do que passar a vida toda navegando pelos sete mares, e mais, pela marinha da Inglaterra, coisa que o Sr. Gavin fez.
De acordo com ele, toda a história oficial sobre os descobrimentos deverá, em breve, obrigatoriamente ser reescrita. É um caso de pura e cristalina justiça. Quem descobriu o Brasil? “Foi Pedro Álvares Cabral.” Recitam as criancinhas desde o primeiro ano do primário. Errado, foi Hong Bao. Quem? Hong Bao, um almirante chinês, eunuco e fiel servidor do imperador Zhu Di, da disnastia Ming.
O autor afirma que os navegadores portugueses, espanhóis e italianos puderam chegar à América, e a outros lugares, graças a cartas náuticas que haviam sido copiadas de mapas chineses desenhados 70 anos antes das viagens dos navegantes europeus. Por exemplo: o Estreito de Magalhães era conhecido por eles como Rabo do Dragão. E por aí vai. Descobri que os chineses circundaram o globo um século antes de Magalhães e que chegaram à América setenta anos antes de Colombo e à Austrália 350 anos antes de Cook.
Tem muito mais no livro escrito para nós, leigos, em uma tocada super digerível que me fez ir até o fim sem parar. Não basta o assunto ser interessante se o autor não escrever bem e isso o Gavin Menzies sabe.
Eu, que gosto muito de História, adorei ler sobre os almirantes chineses e suas esquadras de tesouros com mais de três mil juncos, muitos deles com cerca de 150 metros de comprimento (as caravelas tinham cerca de onze metros), que zarparam da China em 1421 para conhecer o mundo. O que aconteceu com eles e por que não se sabe disso há mais tempo? O livro conta.
