Crime ambiental anunciado se concretiza na AM-010

Peixes mortos após vazamento de óleo de uma carreta que tombou na AM-010 (Foto: Divulgação)

Peixes mortos após vazamento de óleo de uma carreta que tombou na AM-010 (Foto: Divulgação)

MANAUS – Um crime ambiental anunciado se concretizou, nesta segunda-feira, 7, em trecho do quilômetro 46 da rodovia AM-010 (Manaus-Itacoatiara): o piscicultor Santos Soares perdeu toda a produção de peixe, depois de um acidente com uma carreta no local. Um vazamento de óleo diesel atingiu os viveiros e matou as matrinxãs que estavam quase no ponto de comercialização.

Leia mais: Erosão não resolvida na AM-010 causa primeiro acidente

Santos Soares informou à reportagem do AMAZONAS ATUAL que roram recolhidos três carros cheios de peixes, colocados no freezer para que a construtora responsável pela manutenção da rodovia, contratada pela Seinfra (Secretaria de Estado de Infraestrutura) verifique o desastre. Uma grande quantidade de peixes foi enterrada por falta de espaço e para evitar o mau cheiro.

Santos Soares disse que 1.500 peixes foram mortos. “Eu tinha matrinxã, pirarucu e tambaqui, mas conseguiu transferir o pirarucu e o tambaqui para outro açude menor. A matrinxã, por ser mais frágil, morreram todas”. Ele disse que o acidente ocorreu por volta de 20h de domingo e às 4h de segunda-feira os peixes já estavam todos mortos.

Ainda segundo Soares, o proprietário da empresa, que ele identificou como CD Construtora, esteve no local, mas se recusa a pagar os prejuízos. O piscicultor calcula em R$ 50 mil os prejuízos, sendo R$ 35 mil só com os peixes mortos, e o restante com gastos para manter os peixes vivos, antes do acidente com o caminhão.

O problema

Tudo começou com uma erosão à margem da rodovia estadual AM­-010, no dia 13 de novembro. A empresa que faz a manutenção da rodovia para tentar evitar a destruição da pista em trecho do quilômetro 46, despejou cinco carradas de barro no local e não realizou o serviço programado. Dias depois, uma chuva arrastou o barro com retos de concreto do meio-­fio e sarjeta e fechou a tubulação sob a pista por onde corre um igarapé.

O problema causou transtorno e prejuízos tanto para quem vive à margem direita quanto na margem esquerda da via. Do lado direito, no sentido Manaus­-Rio Preto da Eva, a advogada Gina Moraes tem um sítio, onde a família costuma passar os fins de semana. O barracão onde se reúnem está inundado.

Do lado esquerdo da pista, o piscicultor Santos Soares, um argentino que vive há mais de 20 anos em Manaus, teve que fazer malabarismo para não perder toda a produção de peixes. Sem água corrente, os peixes começaram a morrer e o caseiro passou a bombear água de outro igarapé.

À época, Gima Morais afirmou que além do crime ambiental causado pela empresa, a estrada estava ameaçada de cair, porque a água represada tendia a prejudicar o barro. Outro problema apontado pelos proprietários era o risco de acidentes, o que ocorreu no último domingo, com a carreta.

Os proprietários dos imóveis prometem ingressar com uma ação na Justiça para requerer a reparação dos danos morais e materiais causados pela má prestação de serviço causado pela empresa contratada pelo governo do Estado. Santos Soares disse que registrou a ocorrência na delegacia do bairro de Santa Etelvina, na zona norte de Manaus.

Veja mais imagens (do óleo no açude e da carreta tombada na pista)

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