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Zona Franca de Manaus: prêmios e paradoxos

26 de outubro de 2017 Follow Up
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É, ao mesmo tempo, irônica e alvissareira a premiação da Zona Franca de Manaus em quatro categorias na premiação referente à competitividade global no contexto de zonas francas para o ano de 2017. O evento traz a grife do Financial Times, o mais conceituado veículo de economia da Europa, através da fDi Intelligence, uma revista editada pelo FT.

A premiação reconhece as zonas francas mais promissoras em todo o mundo. A ZFM foi vencedora nas categorias ‘Melhor Zona das Américas – Grandes Inquilinos’, ‘Melhor Zona Franca para Sustentabilidade’, ‘Melhor Zona Franca para Expansão’ e ‘Melhor Zona Franca para Novos Investimentos’. Este resultado está disponível na edição deste mês da fDi Magazine.

O reconhecimento foi confirmado, em setembro último, quando a Embaixada do Brasil na Grã-Bretanha – ao receber o livro do Cinquentenário – reafirmou que o desempenho ambiental da ZFM é o único ativo que o Itamaraty dispõe para demonstrar o compromisso do Brasil no Acordo do Clima. O irônico é a premiação de competitividade.

Desempenho ambiental

Através da revista, o jornal inglês analisa as áreas econômicas especiais de todo o mundo para identificar quais apresentam resultados expressivos em perspectivas de investimento, possibilidade de expansão, capacidade produtiva e impactos regionais, entre outros aspectos. Para os prêmios deste ano, a fDi convidou zonas francas, entidades governamentais e organismos de promoção de investimentos para completar um questionário que detalha atratividade, instalações e incentivos oferecidos aos investidores.

A Suframa foi inscrita na premiação por meio da Coordenação Geral de Comércio Exterior. No total, foram recebidas 66 inscrições de zonas livres em todo o mundo, segundo informações da fDi. Seria esta a razão do Brasil, em plena discussão da Reforma Fiscal começar a distribuir incentivos para alguns afilhados políticos pressurosos em ter sua ZF particular?

Ainda sobre planejamento

O presidente do Cieam, Wilson Périco, fez questão de, literalmente, deixar claro o motivo pelo qual o setor privado tem-se posicionado sobre a questão do Planejamento. Ninguém está advogando nomes ou siglas, escolhas e decisões que competem ao poder executivo. A rigor, as entidades estão advogando seu entendimento sobre amor a causa pública. Amar é sobretudo planejar, algo sem o qual nada é feito no setor privado.

Para qualquer empresa planejar, na rotina da atividade privada, significa administrar medidas, definir prioridades, ouvir os atores envolvidos, e promover a discussão detalhada e compartilhada das decisões que interferem na extensão produtiva do empreendimento.

Nesse contexto de planejamento, seria possível identificar formas eficientes e transparentes de colaboração. Sabendo das prioridades, condições e premissas, podemos levar adiante propósitos, anunciados nos nossos debates pré-eleitorais, parceria, em nome da recuperação econômica e da conquista da diversificação e interiorização do desenvolvimento.

‘Esperar não é saber!’

“É temerário continuar dependendo exclusivamente da economia da ZFM. Precisamos urgentemente diversificar as matrizes econômicas” tem dito insistentemente o presidente do CIEAM, Wilson Périco. O fato é que, afora o investimento de R$ 44 milhões em comunicação, o governo ainda estuda as prioridades e estratégias de atuação. A notícia é de que não há receita nem previsão dela.

A agenda é de trabalho, com redobrado afinco. “Quem sabe faz a hora”, diria o poeta. E se há uma demanda a fazer e votos a desejar ao setor público: “… viva e deixe viver, ou melhor, trabalhe e deixe trabalhar quem quer trabalhar”. Neste contexto se resume o espírito da Proposta: ‘Diagnóstico Territorial e Potencialidades do Estado do Amazonas’, encomendado pelas entidades do setor produtivo do Amazonas à FIPE, Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP, com participação da UFMG, para avançar nos caminhos propostos no decorrer de 2016 pelas Jornadas do Desenvolvimento, iniciativas públicas e mobilização dos atores privados para  a construção frustradas das chamadas novas modulações econômicas, um caminho de diversificação da economia proposto pelas entidades do setor privado em 2013, após  ouvir as ponderações de todos os atores que acreditam e trabalham nas iniciativas de diversificação e interiorização da economia. Mãos à obra.

Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]

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Assuntos Amazonas, Cieam, renúncia fiscal, suframa, ZFM
Cleber Oliveira 26 de outubro de 2017
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